Política

Vereadores descobrem que reforma do Postão está limitada à pintura

Comissão de Saúde fez vistoria-surpresa e verificou a morosidade da obra
03 de outubro de 2019 às 09:03
Foto: Fernando Santos

Cansada de esperar pela autorização do Executivo, a Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Câmara de Vereadores de Caxias realizou, no final da manhã desta quarta-feira (2), uma vistoria por conta própria na obra de reforma do prédio do antigo Postão 24 Horas. A visita foi decidida depois da reunião do grupo de trabalho, realizada nesta terça-feira (1), quando foi debatido o crescimento da fila de espera para consultas, exames e cirurgias eletivas na rede pública municipal de saúde.

A vistoria ocorreu depois de nove meses de o colegiado ter protocolado o primeiro pedido de vistoria no Executivo. A comitiva foi chefiada pelo presidente da comissão, vereador Renato Oliveira/PCdoB, e teve a participação dos demais integrantes: Paula Ioris/PSDB, Rafael Bueno/PDT e Tatiane Frizzo/SD. O presidente do Conselho Municipal de Saúde (CMS), Alexandre Silva, também acompanhou os vereadores.

MOROSIDADE

Os participantes puderam verificar que, a 14 dias do fechamento do Postão, em 16 de outubro do ano passado e também a data de início da obra, apenas a pintura interna e algumas poucas adequações foram realizadas. Por medida de segurança, eles utilizaram equipamentos de proteção individual, como capacete, óculos e protetores auriculares.

Entretanto, esta que era a ponderação do Executivo para não autorizar a visita, se tornou completamente inócua. Isso porque, na hora da vistoria, nenhum funcionário da empresa contratada pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) trabalhava no local.

Para entrar no prédio, os parlamentares utilizaram um acesso lateral, que estava aberto e sem nenhum tipo de vigilância. Alguns servidores chegaram a indicar por onde eles deveriam entrar. O grupo teve dificuldade para acessar o interior da obra devido à colocação de paredão na porta da frente e na entrada pelo elevador de serviço.

Ao contrário do que ocorreu quando a fiscalização do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers) pediu para acessar o interior da obra, a vistoria da Comissão transcorreu de forma tranquila. Depois que os parlamentares já estavam no local, apareceu a diretora executiva da Secretaria de Saúde, Andressa do Amaral. Ela questionou sobre a autorização para o ato e informou que o secretário Júlio César Freitas da Rosa estava em reunião no Ministério Público, com a promotora Adriana Chesani. No final da visita, dois guardas municipais foram chamados para acompanhar o trabalho da comitiva.

PASSOU DO PRAZO

Segundo o vereador Renato Oliveira, agora está confirmado que a obra está longe de terminar. Um fato que preocupa tendo em vista o encerramento do plano de contingência em 10 de outubro. “Chegamos de última hora, entre nós mesmos, porque nunca recebemos uma resposta do Executivo. Estamos ansiosos para que essa unidade de saúde seja aberta o quanto antes. O contrato com o Virvi Ramos encerra daqui a poucos dias. Estamos cumprindo a nossa função de vereadores e para verificar o estado da obra”, ressaltou.

“Executivo não tem vontade política”

A avaliação é do presidente do Conselho Municipal de Saúde (CMS), Alexandre Silva. De acordo com ele, a ausência de funcionários e equipamentos demonstra que a obra vai demorar a ser concluída. “Não tem barulho de serrote. É um silêncio total. Se fosse de urgência e importante para atender o usuário que fica de 10 a 12 horas esperando na UPA Zona Norte, isso aqui estaria cheio de mão de obra, trabalhando 24 horas”, reclamou.

Ainda segundo Silva, o Executivo não liberou a visita porque não queria que o Conselho conhecesse a realidade da reforma. “Eu conhecia a estrutura anterior e vejo pouca mudança. No meu ponto de vista, não é passado para o Conselho porque a maioria dos conselheiros iria questionar”, avaliou. Silva defendeu que a gestão pública prorrogue o plano de contingenciamento com a Associação Virvi Ramos enquanto não abrir a UPA Central.





Publicidade