Política

Vereador critica a destinação de verba para beneficiar evangélicos

Samae contratou empresa para construir uma pia batismal e espaço multiuso no Complexo Dal Bó
26 de setembro de 2019 às 09:19
Foto: Gabriela Bento Alves, Divulgação

A obra será realizada no Ecoparque, agora denominado pelo atual governo como "Parque das Araucárias". Ele fica localizado no Complexo Dal Bó. O resultado da licitação saiu nesta terça-feira (24). A empresa vencedora, a T4 Edificações, receberá R$ 282.474,74 para construir uma pia batismal e um espaço multiuso.

O caso foi tema de pronunciamento do ex-diretor do Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto de Caxias do Sul (Samae), vereador Eloi Frizzo/PSB. Segundo ele, o projeto é do governo anterior e foi idealizado pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente. Entretanto, por se tratar de obra em área de domínio da autarquia, o ex-prefeito Alceu Barbosa Velho/PDT, transferiu o custo para o Samae.

Já o prefeito Daniel Guerra/Republicanos decidiu modificar o projeto. Conforme Frizzo, primeiro mudando o nome para Parque das Araucárias, baseado em uma consulta na internet, onde teriam participado cerca de 200 pessoas entre os mais de 505 mil habitantes. “É só passar lá, não tem uma araucária. Poderia ser, antigamente, Parque dos Eucaliptos, porque era cheio de eucaliptos lá, menos das Araucárias, porque pinheiro, que é bom, não tem lá. Deve ter um ou dois exemplares na divisa com o Recreio da Juventude”, explicou.

BANHEIROS

A construção de banheiros no local, mesmo com parecer técnico negativo, é a outra alteração feita pela atual gestão, segundo Eloi Frizzo. Ele lembrou que os técnicos se manifestaram contra a edificação, justificando que desrespeitaria a legislação ambiental.

Porém, o prefeito teria se valido do parecer de uma servidora que ocupa cargo em comissão (CC) para autorizar a obra. “Uma assessora de gabinete deu um parecer, dizendo que a nossa legislação está errada, porque, com base no Código Florestal, o Município pode interpretar de que em áreas de APP, ‘a bem do serviço público’... A famosa palavra que é utilizada para tudo, para os vetos. Tudo que o prefeito quer destruir – não vamos falar da praça – é tudo contrário ao interesse público na ótica do governo”, avaliou.

PIA BATISMAL

O ex-diretor do Samae explicou a origem da construção da pia batismal para os evangélicos. Ele revelou que, na versão original do projeto, ela seria um pequeno tanque. “No meu tempo no Samae, o pessoal das igrejas evangélicas ia lá e pedia licença para fazer uma atividade de batismo, normalmente fazia na Represa São Miguel, ao lado do Fátima. Natural, sem problema nenhum, mas esse governo transformou em um custo de mais de R$ 280 mil”, criticou.

Ainda, conforme Frizzo, a reformulação do projeto original implica na morosidade do Executivo em inaugurar a obra. “Todos diziam que essa obra já estava pronta, era só inaugurar e estava pendente o problema dos banheiros. Agora descobriram uma nova obra, a tal da pia batismal, que, provavelmente, vai levar isso para dezembro, janeiro, fevereiro. Para a inauguração, quem sabe, em um momento mais propício, onde o prefeito não esteja viajando, porque tem que esperar ele fazer as suas viagens”, ironizou.

O parlamentar adiantou que protocolará um projeto de lei para denominar o local como Parque do Trabalhador, assim como foi a ideia do governo do ex-prefeito Victório Trez. Isso porque, na opinião dele, os nomes das Araucárias e Gobbato não estão agregados ao contexto. “Na realidade, os nomes foram escolhidos pela própria administração. Mas isto é não é competência do prefeito, é da Câmara, está muito claro na Lei Orgânica”, justificou.





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