Economia

Varejo nacional de móveis caiu 17% em cinco anos

08 de agosto de 2019 às 09:57
Foto: Carlos Ferrari, Divulgação

As transformações econômicas, políticas e sociais do Brasil nos últimos anos e o que ainda estão por vir foram apresentadas na terça (6), durante o 29º Congresso Movergs, realizado em Bento Gonçalves com mais de 400 participantes. Por meio do mote “E agora? Como enfrentar os desafios do mercado atual” os palestrantes propuseram reflexões sobre o que pode ser feito para alavancar o setor moveleiro e, consequentemente, as indústrias do Rio Grande do Sul e do país.

Na abertura, o presidente interino da Associação das Indústrias de Móveis do Estado do Rio Grande do Sul (Movergs), Rogério Francio, pontuou que o segundo semestre de 2019 é cercado de muitas expectativas, seja no âmbito econômico e político, visto que alguns fatos, como a aprovação da Reforma da Previdência, são motivadores para acreditar em uma agenda positiva. “Ainda temos uma extensa pauta a ser debatida, como a redução da carga tributária, a desoneração da folha de pagamento, obras de infraestrutura e logística. A crise nos trouxe alguns ensinamentos sobre fazermos a lição de casa, sobre investirmos em tecnologias, sobre negociarmos com fornecedores e sobre buscarmos novos mercados”.

Gasto médio em móveis e colchões, no ano passado, foi de R$ 404 por habitante

O sócio-diretor do IEMI - Inteligência de Mercado, Marcelo Prado, apresentou um panorama do mercado de móveis e os desafios frente ao cenário atual. O economista apontou a segmentação como uma opção importante para agregar valor aos negócios, assim como a busca por novos canais de venda para construir o crescimento. “Estamos vivendo há alguns anos um período de competição. Portanto, é preciso ser gestor de design, de inovação e ter organização para competir com crise ou sem crise. Não é fácil, nos tira do conforto”.

Prado enfatizou que o legado que a crise dos últimos cinco anos deixou é de que ser um dublê de produto, fazer mais do mesmo e barato, sem inovação, sem diferenciais, não remunera o negócio, e na crise esse tipo de empresa é punida pelo mercado. Atualmente, são 53 mil pontos de venda no segmento móveis e colchões. Em 2016, foram fechadas 7,7 mil lojas especializadas e, nos últimos dois anos, abertas 3,5 mil. De 2013 a 2018 o varejo de móveis caiu 17%.

Apenas em 2018, segundo Prado, os brasileiros consumiram R$ 4,5 trilhões em bens de consumo, sendo R$ 84 bilhões em móveis e colchões, o quinto maior mercado do País, em um universo de 208 milhões de habitantes e de 69 milhões de domicílios, o que totalizou R$ 404 em gasto habitante/ano. Desse total, R$ 81,1 bilhões foram vendidos no varejo físico (96,1%), e R$ 3,3 bilhões B2C (3,9%). No varejo físico a taxa de crescimento foi de 1,7%, enquanto que no e-commerce saltou para 33%.

Em se tratando de projeções, para os próximos cinco anos, Prado aponta que há estimativa de expansão de 13,9% na produção de móveis e colchões no Brasil (2,6% ao ano). Entretanto, nesse ritmo, em 2023, o setor ainda não terá recuperado seus níveis de produção, registrados antes da crise (em 2013). “Estamos começando a reinvestir na indústria, os empresários estão colocando dinheiro nos seus negócios, o que é muito positivo”.





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