Cidades

UCS busca formas de eliminar déficit da Orquestra Sinfônica

Desde sua criação, estrutura musical exige que instituição complemente o orçamento
22 de agosto de 2019 às 11:01
Foto: Rafael Sartor, Divulgação

Criada em 2001 com o propósito de promover a formação artístico-cultural de Caxias do Sul e Serra Gaúcha, fomentando a música de concerto, a Orquestra Sinfônica da Universidade de Caxias do Sul (OSUCS) sempre gerou déficit para a instituição. Para este ano é esperado resultado negativo de R$ 550 mil.

Setores ligados à estrutura avaliam alternativas para mudar este quadro. “Estamos nos estruturando para reverter essa situação até 2021. Será uma revolução completa”, garante

Charles Tonet, coordenador do UCS Cultural. Dentre as ações em estudo estão criação de novo portfólio, posicionando a orquestra como um produto de entretenimento cultural; investimento em grupos de câmara; expansão da programação para outras cidades; trabalhos com outros projetos inovadores; busca de emendas parlamentares e captação de recursos com pessoas físicas. Tonet ainda cita a criação de um cartão de relacionamento. “Já temos perto de 40 apoiadores pessoas físicas, que destinam parte do imposto de renda a pagar, mas pretendemos aumentar essa fatia”, adiantou.

Conforme Tonet, na média, a orquestra tem custo anual de R$ 1,4 milhão. Para 2019, o orçamento prevê a captação de R$ 300 mil por meio da Lei Rouanet; R$ 200 mil de patrocínios diretos; R$ 150 mil em projetos de lei municipal com as festividades de Natal, Concertos ao Entardecer e de Primavera; R$ 120 mil com bilheterias; e R$ 80 mil na forma de cachês, dentre outras fontes. “Devemos fechar o exercício com déficit de R$ 550 mil, bancado pela Universidade. São cifras que variam a cada ano, mas geralmente nessa faixa. O trabalho em execução conduzirá à sustentabilidade”, salientou.

Tonet também destaca que a orquestra realiza muitas apresentações gratuitas. Portanto, não está somente ligada à questão comercial, pois o propósito de se relacionar com as comunidades de Caxias e de municípios vizinhos. “Se formos considerar o valor investido para realizar esses concertos, a questão financeira seria muito mais deficitária. Mas levamos a orquestra para públicos que nunca tinham assistido este elemento cultural. No ano do cinquentenário da UCS, se fossemos cobrar por apresentação feita, teríamos receita superior a R$ 600 mil. Então, depende muito da perspectiva que se adota”, ressaltou.

Aproximando-se do público

A Orquestra Sinfônica é formada por coordenação artística, equipe de apoio e músicos. São cerca de 40 pessoas, sendo 25 músicos profissionais, contratados pela UCS. “Com a escola de música que deve ser implantada no mais tardar em 2020, poderemos ter um ciclo bem interessante, com o ingresso de alunos que terão uma bela oportunidade de aprendizado”, destacou Charles Tonet.

A área de abrangência da orquestra tem seu forte em Caxias do Sul, Serra Gaúcha e parte de Santa Catarina. Mesmo tendo boa aceitação junto ao público, Tonet cita que o grande desafio é eliminar a percepção de que o mundo orquestrado é programa elitizado ou é música chata. “Nossa orquestra toca de Beatles a Tropicália, dentre outros gêneros. Estamos sempre inovando nesse sentido para aproximar o público”, assegurou.

Concha acústica pode ser entregue em 2021

Visando dar espaço para novos talentos e artistas de renome, a Universidade de Caxias do Sul está na fase final de elaboração do orçamento para a construção de uma concha acústica, no estacionamento próximo do Tecno UCS. O próximo passo será captar recursos junto a empresas interessadas em investir na área cultural. “Os números ainda não estão fechados, mas devem ficar próximos de R$ 4 milhões. Como usaremos somente recurso externo, não podemos fixar prazo. Mas a meta de conclusão é 2021. Será um grande presente para Caxias do Sul, que está órfã de concha acústica desde a década de 1990”, informa Charles Tonet.

Com estrutura de 693 m² de área construída, com dois pavimentos, a concha acústica servirá para sediar concertos da Orquestra Sinfônica, de eventos da Universidade e de vários setores da comunidade, de forma gratuita. “Isso nos permitirá montar um calendário em conjunto com a comunidade, de forma que se tenha atratividades de forma constante. Se trata de uma ação de caráter comunitário”, ressaltou.





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