Política

Tribuna da Câmara será palco de manifestações

Pronunciamentos alertarão para efeitos da fusão da incorporação de duas secretarias municipais e corte de verbas na educação federal
14 de maio de 2019 às 12:48
Foto: Andressa Boff, Divulgação

Representantes das classes artística, desportiva e educacional estarão na Câmara de Vereadores de Caxias do Sul, na sessão desta terça-feira (14). A participação foi definida durante reunião da Comissão de Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação, Cultura, Desporto, Lazer e Turismo do Legislativo, na quarta-feira (8), na sala da presidência da Casa. O encontro foi coordenado pelo presidente do grupo de trabalho, vereador Edson da Rosa/MDB. O objetivo dos pronunciamentos é tornar público o descontentamento das duas categorias para com a suposta incorporação das secretarias de Cultura (SMC) e de Esporte e Lazer (Smel) à pasta da Educação (Smed) e do bloqueio de verbas para o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do rio Grande do Sul (IFRS).

Em nome dos artistas, falará a presidente do Conselho Municipal de Política Cultural (CMPC), Magali Quadros. Segundo ela, o atual governo promove um desmonte no setor. Na opinião de Magali, uma das áreas mais prejudicadas pelo governo Guerra tem sido a Cultura.

Ela acredita ser necessário dar visibilidade à população sobre as intenções do Executivo. “Precisamos nos posicionar sobre este tema, por que somos representantes da sociedade, da população. Este governo está tirando de áreas como cultura e esporte, dizendo que é para colocar em outras prioritárias. Mas onde está indo esse dinheiro, porque elas continuam enfrentando dificuldades. Nós, artistas, estamos inconformados. Não podemos conviver com uma administração que não tem diálogo com a sociedade, não tem projetos nem mesmo planejamento”, criticou Magali.

FALTA DE PARCERIA

No caso da Smel, a informação foi confirmada pelo ex-secretário Paulo Gedoz de Carvalho, exonerado do cargo pelo prefeito Daniel Guerra/PRB por discordar com o rebaixamento da secretaria ao nível de departamento. Fato este amparado por estudos que vinham sendo feitos à revelia de Gedoz. Pelo lado dos desportistas se manifestará o presidente do Clube de Corredores de Caxias do Sul, Marialdo Rodrigues. Segundo ele, sem o status de secretaria, o órgão público perderá força e autonomia, já que o setor vive uma crise de gestão.

Rodrigues citou o fato de a cidade ter apenas dois espaços públicos municipais para a prática da corrida: Parque dos Macaquinhos e Estádio Municipal. Entretanto, no Parque, falta iluminação para a corrida noturna. Por outro lado, conta que o Clube conseguiu equipamento para iluminação do estádio, mas o Executivo não permitiu a instalação. “Tem muitos projetos esportivos acabando por falta de incentivo. Este governo reduziu o Fiesporte. O prefeito tem um pensamento retrógrado. Ele se coloca na linha de fogo com os artistas e desportistas. Um governante tem que pensar bem nos seus atos. Aquele que se colocar contra o esporte está destinado a morrer cedo politicamente”, avaliou.

INSTITUTO FEDERAL

O diretor do Campus de Caxias do Sul do IFRS, Juliano Toniollo, manifestará seu repúdio ao bloqueio de verbas destinadas aos institutos federais e universidades, anunciado pelo Ministério da Educação. Toniollo explicará que o IFRS já vinha sofrendo com corte de verbas desde o governo do ex-presidente Michel Temer/MDB.

O Campus tem orçamento anual de R$ 3,615 milhões e poderá perder cerca de R$ 1,2 milhão. “Necessitamos da verba do custeio porque são serviços que precisamos pagar todo mês. A estimativa é ter verba para isso somente até setembro, se não houver o repasse do governo. Isso ameaça a continuidade dos serviços no segundo semestre”, ressalta. 

Gremelmaier fez denúncia

A suposta incorporação da Secretaria de Esporte e Lazer à Educação surgiu um dia depois da exoneração do ex-secretário Paulo Gedoz de Carvalho. A denúncia ocorreu na sessão legislativa do dia 30 de abril, durante pronunciamento do desportista, ex-titular da pasta no governo do ex-prefeito José Ivo Sartori, vereador Felipe Gremelmaier, ambos do MDB.

Na tribuna da Câmara, ele afirmou que a exoneração de Gedoz era uma confirmação de que os boatos eram verdadeiros. Dias depois, Gedoz emitiu nota de esclarecimento, confirmando que os estudos vinham sendo realizados sem o conhecimento dele.

Ele criticou o rebaixamento do status da repartição pública municipal. “Espero que não tenham trocado um secretário novamente para ir lá e fechar a pasta. Não quero imaginar que a gente sofra esse retrocesso em Caxias do Sul. Espero, sinceramente, que isso não aconteça e que possa ser repensada essa decisão. Profissional nenhum de educação física aceitaria estar à frente de uma pasta que vai ser extinta”, referiu-se a Gedoz no final do pronunciamento.





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