Polícia

Temer fica em silêncio no depoimento à Polícia Federal

O ex-presidente Michel Temer permaneceu em silêncio durante interrogatório, nesta sexta (22), na Superintendência Regional da Polícia Federal (PF) no Rio de Janeiro, onde
25 de março de 2019

O ex-presidente Michel Temer permaneceu em silêncio durante interrogatório, nesta sexta (22), na Superintendência Regional da Polícia Federal (PF) no Rio de Janeiro, onde está preso desde a noite de quinta (21). A informação foi divulgada pela procuradora da República Fabiana Schneider, integrante da força-tarefa da Lava Jato no Rio. Segundo Fabiana, dos oito presos na operação, apenas o ex-ministro Moreira Franco aceitou falar, negando ter recebido ou oferecido propina. De acordo com a procuradora, Temer apenas informou, por meio de seus advogados, que não iria falar.

Questionada se os fundamentos dos mandados de prisão eram suficientemente sólidos para justificar a prisão de Temer, Moreira e os demais presos, disse que sim, por se tratarem de membros de uma organização criminosa estável, que vinha ocultando patrimônio e atuando há cerca de 40 anos. “A força-tarefa do Rio de Janeiro tem sido bastante comedida nos seus pedidos de prisão. Se não houvesse motivos suficientes para prisão preventiva, com toda certeza, não faríamos esses pedidos. Estamos absolutamente convencidos da necessidade da manutenção da prisão”, reforçou.

Segundo a procuradora, uma eventual soltura dos presos, por força de habeas corpus impetrados no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), poderia atrapalhar as investigações. O TRF2 informou que os pedidos de habeas corpus serão julgados pela 1ª Turma na próxima quarta-feira (27).

 

Inconformado

 

O ex-presidente Michel Temer está inconformado com a sua prisão, disse o ex-deputado Carlos Marun (MDB-MS), que esteve pela manhã, na Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro (na foto com Temer quando estavam no governo). "Temos a mais absoluta convicção de que, em mantido o devido processo legal, o presidente resultará inocentado de todas essas acusações", afirmou. Para Marun, que foi ministro da Secretaria de Governo de Temer, a prisão é ilegal e arbitrária. O ex-ministro usou a prerrogativa de ser advogado para fazer as duas visitas à cela do ex-presidente, que foi montada em uma sala com banheiro e janela. Segundo ele, Temer pode estar sendo vítima de uma disputa entre a Lava Jato e o Supremo Tribunal Federal. "O presidente talvez tenha ficado como um marisco entre o mar e o rochedo", afirmou.