Coronavírus

Serra segue na bandeira laranja

Argumentos apresentados por prefeitos levaram à reconsideração inicial de classificar a região na cor vermelha
29 de junho de 2020 às 20:18

Comércio tem feito forte campanha para conscientizar a população (Foto Cristhian Silva, Divulgação)

A Serra Gaúcha, incluindo o município de Caxias do Sul, permanece mais uma semana na bandeira laranja no modelo de distanciamento controlado do governo do Estado. Após recurso apresentado pela Associação dos Municípios da Encosta Superior do Nordeste (Amesne), o Gabinete de Crise reavaliou os dados e o governador anunciou, na tarde desta segunda (29), a permanência na bandeira laranja por mais esta semana.

Segundo o governador Eduardo Leite, que expôs a mudança durante live, a região havia ficado no limite do arredondamento para a bandeira vermelha. Com as argumentações apresentadas pelos prefeitos e associações, esses dados recuaram. Ficou, porém, um alerta. “Disse a alguns prefeitos que precisam tomar cuidado com a fiscalização de protocolos e com os surtos identificados para que não vá para a bandeira vermelha”, afirmou.

O vice-prefeito de Caxias do Sul, Edio Elói Frizzo, destacou o esforço da região para a manutenção dos dados. "A Amesne e o Observatório Regional criaram as condições para alterarmos significativamente a análise dos índices. O trabalho dessas entidades, somado ao Corede e 5ª Coordenadoria de Saúde, possibilitou que criássemos condições de rever a bandeira. Ganha a cidade e, principalmente, o comércio, que é o setor mais atingido. Mas não significa que estejamos desprezando os cuidados e o direito à vida, e priorizando a economia. Caxias deu exemplo fechando domingo, inclusive os supermercados, evitando as aglomerações. Vamos continuar com esse trabalho e ajuda da população nesse sentido", afirma.

A presidente do Sindilojas Caxias, Idalice Manchini, ressalta que manter o atendimento é essencial para a recuperação do comércio e alerta sobre a importância de respeitar os protocolos de saúde estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde. “Estamos hoje de portas abertas, mas para manter essa situação para o comércio é preciso que os comerciantes sigam com os cuidados, respeitando o distanciamento entre os clientes, exigindo o uso de máscaras para o acesso nos estabelecimentos, utilizando álcool gel na entrada e na saída dos cliente​s, e seguindo as regras para prova de roupas e calçados”, argumenta.

Ela ressalta também a importância de apenas um membro de cada família ser responsável por fazer as compras. “Estamos firmes no propósito de conscientizar as pessoas de que é desnecessário o acompanhamento da família para adquirir itens necessários para o dia a dia. Idosos e crianças, principalmente, devem ser preservados, porque não há segurança para realizar passeios na área central da cidade ou em centros comerciais”, alerta. 

O presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Caxias do Sul, Renato S. Corso, manifestou contentamento com a decisão, mas reforçou a necessidade da cautela. “Sabemos que muitas empresas estão enfrentando grandes dificuldades de sobrevivência e milhares de pessoas estão perdendo seus empregos, o que reflete drasticamente na cadeia econômica do município”, analisa. O dirigente apela para que a população contribua para o controle da pandemia e manutenção do funcionamento dos estabelecimentos classificados como não essenciais. “Este é um esforço conjunto, uma força-tarefa de toda a população. Faço um apelo para que todos usem máscaras, tenham os devidos cuidados com a higiene e etiqueta respiratória. Precisamos da colaboração da comunidade caxiense”, frisa.

Outras duas regiões, Erechim e Palmeira das Missões, também conseguiram a manutenção da bandeira laranja. No entanto, Porto Alegre, Novo Hamburgo, Canoas, Litoral Norte, Passo Fundo e Santo Ângelo seguem na bandeira vermelha, o que indica alto risco de contaminação.