Cidades

Segmentos da comunidade cobram calendário de ocupação da Maesa

Em reunião pública, representantes da sociedade civil e do Poder Legislativo manifestaram preocupação com o destino do complexo histórico
16 de agosto de 2019 às 10:14
Foto: Vania Espeiorin, Divulgação

Em reunião pública promovida por duas comissões da Câmara Municipal de Caxias do Sul, na quarta à noite, vereadores e representantes de vários segmentos cobraram da Prefeitura um calendário de ocupação do complexo da antiga Metalúrgica Abramo Eberle (Maesa). Também ficou decidido que os parlamentares e a comunidade se reunirão novamente após retorno de um pedido de informações encaminhado ao Executivo sobre a atual situação do espaço.

O representante do coletivo Abrace a Maesa, Carlinhos Santos, salientou que o complexo é um lugar construído pelos trabalhadores e guarda muitas memórias. Por isso, cobrou agilidade ao Executivo. "Em razão dos acordos estabelecidos entre Estado e Município e da falta de ações (da Prefeitura), precisamos salvar esse patrimônio e abraçar a Maesa. A gente precisa conclamar o poder público a dizer o que será feito no local", enfatizou.

A presidente do núcleo local do Instituto de Arquitetos do Brasil, Sílvia Nunes, ressaltou a função social e não apenas arquitetônica da Maesa. Entre as sugestões que apresentou está a realização de um concurso público de arquitetura para o espaço. Lembrou que o Estatuto das Cidades apresenta instrumentos da política urbana que podem abranger o empreendimento.

O administrador judicial Nelson Cesa Sperotto, designado pelo Judiciário para cuidar da massa falida do Grupo Voges, que teve decretada falência e que até poucos dias tinha uma de suas unidades, a Metalcorte, funcionando em parte do complexo da Maesa, observou ser remota a possibilidade de reversão da sentença, embora ainda caiba recurso por parte do falido. Disse que abrirá negociação com o Município para ver sobre o interesse em relação aos equipamentos existentes, ou seja, à massa falida (acervo de ativo e passivo de bens e interesses do falido). "Ainda não consegui contatar, mas, se houver intolerância, sou obrigado a entregar as chaves ao Município (com tudo dentro). Mas acho que o Município não vai deixar de ter essa sensibilidade, pois agora quem está assumindo a desocupação não é mais o empresário, e a massa falida tem a função de liquidar só o que for possível", esclareceu.

Intransigência e falta de informações

A vereadora Denise Pessôa/PT observa que estaria havendo intransigência de parte da Prefeitura em providenciar a ocupação. Para o petebista Alceu Thomé, poderia haver uma destinação para uso também dos agricultores comercializarem seus produtos no local. Os vereadores Paula Ioris/PSDB e Paulo Périco/MDB questionaram a falta de informações mais concretas de parte do Município em relação à área.

No entendimento do vereador-presidente da Comissão de Desenvolvimento Urbano, Transporte e Habitação, Elói Frizzo, seria oportuno dar publicidade ao plano de ocupação que foi construído por uma comissão que vigorou em 2016 e cujo conteúdo foi repassado ao governo de transição do à época prefeito eleito Daniel Guerra/PRB. Na avaliação de Frizzo, as pessoas já tiveram paciência em esperar dois anos e meio para a implantação de ações por parte da Prefeitura, mas sem sucesso. "O Município paga mais de R$ 700 mil mensais em aluguéis. Poderia já ter levado para o espaço três secretarias", indica.

As lideranças que se manifestaram, como da União das Associações de Bairros e do Sindicato dos Servidores Municipais, pressionaram o Executivo a tomar uma decisão de uso do local com receio de que o Estado retome o espaço e a cidade perca a estrutura. Atualmente, a Guarda Municipal é uma das poucas unidades que estão em atividade no espaço. 





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