Economia

Safra de grãos no estado tem quebra de 29%

Prejuízos à economia gaúcha podem chegar a R$ 15 bilhões
22 de maio de 2020 às 17:40

Governo criou câmara temática para ampliar programas de irrigação (Foto Divulgação)

O Rio Grande do Sul apurou quebra de 28,7% na safra de grãos de verão 2019/2020, totalizando 22.462.104 toneladas. Na safra anterior, de 2018/2019, a produção total esteve perto de 31,5 milhões de toneladas. Os números finais da safra foram apresentados nesta sexta-feira, 22, pela diretoria da Emater/RS e Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural.

A soja, principal cultura do estado, teve recuo de 46% sobre a estimativa inicial de 19,7 milhões de toneladas. O levantamento aponta produção de 10,6 milhões de toneladas. Alencar Paulo Rugeri, diretor técnico da Emater, definiu a quebra como significativa, em especial na Metade Sul, e que vai gerar prejuízos elevados à economia gaúcha.

Na cultura do milho, apesar do aumento de área de 1,5%, algo como 2 mil hectares adicionais, a produtividade apresentou perda média de 32%, gerando redução de 31% na produção, para 4,1 milhões de toneladas. O volume é 1,8 milhão de toneladas inferior ao estimado.

Das culturas apresentadas, o arroz foi a única com dados positivos. Mesmo com queda de 1,8% na área com relação à estimativa inicial, de 961.377 hectares, para os atuais 944 mil hectares, foram colhidas 7.581.095 toneladas, em leve alta de 0,9% em relação à estimativa inicial. Já o feijão 1ª safra apresentou redução de 1,4% de área, ficando em 35.519 hectares, e de 14% na produção, fechando em 53.908 toneladas colhidas.

De acordo com o presidente da Emater/RS, Geraldo Sandri, os técnicos e extensionistas acompanham e atualizam os números de cada cultura de forma quinzenal e o levantamento, que integra os compromissos da Emater/RS-Ascar com a secretaria, abrange 90% dos municípios produtores de cada cultura. “Nesse período tivemos uma estiagem muito forte, que começou em dezembro, e que gerou perdas que variam por região e de acordo com o volume de chuva em cada fase das culturas”, observou.

O secretário Covatti Filho lamentou os prejuízos que a estiagem provocou para a safra de grãos, o que deixou o produtor apreensivo e afetará inclusive as exportações. Segundo o secretário, os prejuízos para a economia gaúcha são estimados entre R$ 10 bilhões a R$ 15 bilhões.

Estado ampliará programas de estiagem

Buscar alternativas para dar eficácia à política estadual de irrigação, ampliando-a com novos programas e aperfeiçoando os existentes. Com esse objetivo, a Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural publicou, nesta sexta-feira (22), instrução normativa que cria a Câmara Temática da Irrigação.

Segundo o secretário Covatti Filho, a intenção é ouvir sugestões de representações de produtores rurais, fabricantes de equipamentos, empresas elaboradoras de projetos e demais parceiros da irrigação. "Investir em irrigação é a melhor resposta que podemos dar para a seca. Por isso, criamos a Câmara Temática para discutir um programa consistente para ampliação da área irrigada no estado e garantir mais segurança ao produtor quando faltar de chuva", pondera Covatti.

O diretor de Políticas Agrícolas da secretaria, Ivan Bonetti, informa que os cultivos de verão como milho, soja e feijão, além de outros de sequeiro, como frutíferas e hortaliças, somam cerca de sete milhões de hectares, dos quais, atualmente, menos de 3% são irrigados. "Ainda existe a necessidade de irrigação nas pastagens para a produção leiteira e de corte", argumentou.

Ressaltou, no entanto, que o regime anual de chuvas do Rio Grande do Sul é muito bom, ao redor de 1.600 mm/ano. Isto permite, segundo ele, fazer reservação de água, normalmente usada como irrigação suplementar, ou seja, utilizada por algumas semanas nos meses de verão, mas sendo decisiva para garantir boa produtividade das lavouras.

Por meio do Programa Mais Água, Mais Renda, o governo irrigou 86.500 hectares nos últimos anos, dos quais 70% nos três anos subsequentes à estiagem de 2012. Bonetti esclarece que, por meio da câmara temática, a expectativa é ampliar tanto a reservação de água como os projetos de irrigação. “Desta forma, os agricultores estarão preparados para enfrentar as recorrentes estiagens no estado", assegurou.