Política

Rigotto e Sartori são reconhecidos como embaixadores da CIC Caxias

Ex-governadores foram homenageados no festejo festivo de 118 anos da entidade
09 de julho de 2019 às 10:03
Foto: Julio Soares, Fotobjetiva/Divulgação

Os ex-governadores do Estado, Germano Rigotto e José Ivo Sartori/MDB receberam homenagem durante a reunião-almoço que marcou os 118 anos de fundação da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC). O evento ocorreu nesta segunda-feira (8) e teve a entrega da 12ª edição do Troféu Ítalo Victor Bersani. Rigotto e Sartori receberam o título de Associado Honorário da CIC Caxias. “Como associados honorários, queremos continuar contando com seu papel de embaixadores da CIC Caxias e da nossa região”, afirmou presidente da entidade, Ivanir Gasparin.

Durante entrevista coletiva à imprensa, Germano Rigotto falou de vários assuntos ligados à política nacional e estadual. Ele avaliou os governos do presidente Jair Bolsonaro/PSL e do governador Eduardo Leite/PSDB e temas polêmicos, como as reformas propostas pelo poder público.

 

GOVERNO BOLSONARO

“O PSL do presidente Bolsonaro elegeu mais de 50 deputados federais, eleitos no embalo do nome do Bolsonaro. Muitos ainda não demonstraram ativamente que têm compromisso com programa do governo federal, pois não estavam preparados e pela falta de qualidade. Acho que uma das coisas boas que aconteceu durante esse período, na relação com o Congresso Nacional, tem uma grande virtude, que foi acabar com o troca-troca, e que espero continue assim. Isso não significa que o governo não tenha que melhorar a sua relação com as outras instituições, como o Congresso Nacional, por exemplo. Muitas vezes, Bolsonaro critica o que não deve ser criticado”.

 

REFORMA DA PREVIDÊNCIA

“Os estados e municípios ficaram fora da reforma da Previdência. A proposta original os incluía, mas por conta de alguns governadores, com apoio de dentro do Congresso, eles foram retirados e o governo acredita que não tem problema, porque vamos economizar, em 10 anos, os R$ 900 bilhões ou R$ 1 trilhão, mesmo assim. Era a oportunidade de estados e municípios começarem a resolver o problema da previdência própria. Vai ser muito mais difícil resolver após a aprovação da reforma da Previdência pelo Congresso, que cada estado e município consigam uma solução do seu problema”.

 

DÍVIDA DO ESTADO

“O Rio Grande do Sul tem R$ 12 bilhões só de déficit previdenciário. A reforma seria uma solução agora positiva até o Plano de Recuperação Fiscal. Sem a venda de estatais não tem outra forma para chegar a ele. O governo estadual está falando em R$ 3 bilhões com a venda de três estatais. Isso vai estourar na União ali adiante, porque nós vivemos uma federação e ela não vai poder assistir a quebradeira geral dos estados sem ter que intervir. Então, acho um grande equívoco do Congresso retirar estados e municípios da reforma da Previdência”.

 

GOVERNO LEITE

“O governador Eduardo Leite tem uma boa sustentação no Congresso Nacional e na Assembleia, está dialogando muito com todos os setores dessa base, que foi implantada no governo anterior do Sartori, deixou o governo federal mais confiante que a reforma da Previdência passe pela bancada gaúcha. Todo o debate feito no governo Sartori facilita o trabalho de Eduardo Leite para fazer avançar essas mudanças. Acredito que a partir da aprovação dessas privatizações fica muito mais fácil chegar para acertar com o Plano de Recuperação Fiscal. Aí o Estado tem um perdão de três anos, mais três da dívida, e tem a possibilidade de buscar recursos. Mas isso não resolve o problema do Rio Grande do Sul, não é uma solução estruturante. Tu jogas a dívida do patrimônio do financiamento a ativos para frente, mas vai ter que pagar mais adiante. Está se dando um oxigênio ao Estado, porém, não significa redução de dívida e nem mudança estrutural”.

 

REFORMA TRIBUTÁRIA

“Todos os projetos em discussão no Congresso têm origem no trabalho que fizemos no final do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, com a fusão dos tributos que recaem sobre o consumo. A reforma tributária já foi muito discutida e está muito mais próxima de avançar no Congresso Nacional. O que me preocupa é esta decisão do governo federal, que parece ter o aval do ministro Paulo Guedes, de enviar algo totalmente diferente do que foi discutido e está nos projetos já em tramitação. A proposta do governo trata de todos os tributos da União, mas exclui os estaduais e municipais. Isto é defendido pelo chefe da Receita Federal, Marcos Cintra. Espero que não se concretize essa proposta de exclusão dos estados e municípios da reforma tributária, como já ocorreu com a da Previdência”.