Cidades

Reivindicação de melhoria já tem quase duas décadas

Estrada centenária tem trecho de cinco quilômetros sem asfaltamento
07 de agosto de 2019 às 11:30
Foto: Lucas Tonieto, Divulgação

Moradores da 3ª Légua, em Caxias do Sul, cobram da Prefeitura o asfaltamento de trecho de cinco quilômetros da Estrada do Imigrante, importante rota turística, de escoamento da produção e de ensino, onde está localizada a Escola Família Agrícola da Serra Gaúcha (Efaserra). “A estrada tem perto de 25 quilômetros, que foram asfaltados no início dos anos 2000. Por algum motivo, que nunca nos explicaram, deixaram para trás esse trecho. Desde então, cobramos pela sua finalização”, ressaltou Alceu Dalle Molle, presidente Efaserra, e morador da comunidade de São Luis.

Para Dalle Molle, em boas condições, a estrada pode atender anseios turísticos e econômicos, sendo inclusive utilizada como roteiro de ligação entre as regiões da Uva e do Vinho e das Hortênsias. “Já tem estabelecimentos que recebem turistas, mas poderia ser bem maior se houvesse maior atenção dos gestores. Isto incentivaria os moradores locais a se mobilizarem mais em torno deste segmento”, frisou.

Cerca de 40 famílias vivem na região, com muitos jovens, o que assegura a manutenção das atividades e também ampliações. Pela Estrada do Imigrante, são escoados mais de 3 milhões de quilos de uva por ano. “É uma zona de pessoas trabalhadoras, que pensam no futuro. Mas é necessária atenção do poder público para suprir essas demandas, que fazem grande diferença entre o futuro sustentável dessas famílias ou o desânimo, principalmente dos mais jovens”, alertou.

Dificuldade histórica

Foi pela Estrada do Imigrante que chegaram os primeiros colonizadores da região. Além de propriedades com grandes parreirais, a estrada oferece belas paisagens, com destaque para a Gruta da Terceira Légua, Igreja São Pedro e São Paulo e casas históricas de pedra e de madeira. “É justo que tenhamos esses cinco quilômetros asfaltados. Trata-se de uma área de preservação, havendo todo um regramento para poder edificar alguma obra. Precisamos ter contrapartidas”, frisou Alceu Dalle Molle.

Moradores mais antigos informam que este trecho da estrada sempre foi o mais emblemático. No princípio, principalmente em dias de chuva, os colonizadores demoravam até um dia para superá-lo, com carroças atolando ou quebrando. “Trata-se de um local mais íngreme, que há mais de um século segue sem resolução. Claro que os problemas de hoje são menores. Mas as possibilidades de resolução também são bem maiores. Já conversamos com secretários e vereadores e todos falaram que iam trabalhar para resolver este impasse. Esperamos que não demorem. Já faz mais de 100 anos que os moradores lidam com esta adversidade”, lembrou.

Efaserra fomenta permanência no campo

Mais de 70% dos jovens que passam pela Efaserra permanecem no campo

Inaugurada em 2013 em Garibaldi, a Escola Família Agrícola da Serra Gaúcha (Efaserra) foi transferida para a comunidade de São Pedro da 3ª Légua em 2016. Comunitária e mantida pela Associação de Pais e Amigos, tem o foco na educação voltada às atividades do campo. As aulas são ministradas em formato de semi-internato. Os estudantes ficam uma semana nas dependências da escola e a outra em casa. “A instituição busca e apresenta alternativas para a permanência dos jovens em suas propriedades. Desde o início das operações da Efaserra, mais de 70% dos alunos permanecem no meio rural”, enfatiza o presidente da Alceu Dalle Molle.

O educandário atende atualmente mais de 100 jovens de ambos os sexos, vindos de 21 municípios da Serra Gaúcha, com ensino médio e técnico. Os requisitos são ter o ensino fundamental completo e ser filho de agricultor. “Crescemos ano a ano. Estamos trabalhando para construir novas salas e para firmar convênio com a Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária, o que deve ocorrer até o final deste ano, para podermos usufruir de forma compartilhada da estrutura disposta em Fazenda Souza”, informou.





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