Economia

Recuperação robusta somente virá no segundo semestre de 2020

Economista Helena Veronese fez estimativa durante reunião-almoço da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços
10 de setembro de 2019 às 09:42
Foto: Fotos Julio Soares/Objetiva

Ao afirmar que indicadores de atividade econômica, no Brasil, apontam para uma recuperação bem mais lenta do que a esperada pelo mercado, e que há um risco de desaceleração das principais nações desenvolvidas no horizonte de até dois anos, a economista Helena Veronese projetou para o segundo semestre de 2020 uma recuperação mais robusta na economia. “O cenário está complicado. O mundo está atrapalhando um pouco, mas vamos conseguir crescer se continuarmos a fazer a lição de casa”, ressaltou durante palestra na reunião-almoço da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC) nesta segunda-feira (9), em evento comemorativo aos 22 anos do Banco da Mulher de Caxias do Sul.

De acordo com Helena, que é economista-chefe da Azimut Brasil, a expectativa de crescimento para este ano, que em janeiro era de 2,53%, atingiu a mínima de 0,80%, apesar de o PIB do segundo trimestre surpreender positivamente com alta de 0,4%, impulsionado pelo desempenho da indústria, investimentos e serviços. Para a palestrante, a evolução da taxa de desemprego é o pior lado da crise. “O crescimento da ocupação vem acompanhado pela queda no rendimento médio real, que certamente é um sinal amarelo às perspectivas de consumo”, explicou.

Além disso, a elevada subutilização da força de trabalho e a fraca atividade econômica ajudam a explicar os baixos salários das vagas oferecidas. São 24,2 milhões de pessoas trabalhando por conta própria, revelou. Já o lado “bom” do desemprego, conforme a economista, é o controle da inflação, que, somado à capacidade ociosa, permite que a economia cresça sem gerar pressões em um primeiro momento. “Este cenário inflacionário dá flexibilidade para o Banco Central manter o ritmo de afrouxamento monetário”, observou.

A executiva ponderou que a Reforma da Previdência foi o primeiro e importante passo para resolver a questão fiscal brasileira - que classificou como “o permanente calcanhar de Aquiles” -, ainda marcada por déficit primário e aumento do endividamento bruto. “Sem espaço para fazer renúncias fiscais ou aumentar impostos, a única forma de o governo conseguir dominar a questão fiscal é via continuidade de reformas macro e microeconômicas”, opinou.

Cenário global 

Apesar de a economia apresentar índices de crescimento e pleno emprego, Helena Veronese prevê que os Estados Unidos podem estar seguindo rumo à recessão. Mesma situação experimentada pela Europa de modo geral, como consequência do desempenho da atividade alemã, já que ela responde, sozinha, por 30% da economia da Zona do Euro, além de ser a quarta maior do mundo.

A desaceleração da economia chinesa, segundo ela, já não é novidade. “A indústria do país atingiu em agosto seu pior nível em 17 anos”, ilustrou. De acordo com a economista, a mudança de modelo de crescimento explica parte do cenário. “Diante das dificuldades impostas por um cenário global mais fraco e um possível acirramento da guerra comercial, o governo chinês já começa a estudar medidas de estímulo”, disse.





Publicidade