Economia

Próxima safra de grãos terá novo recorde

Conab estimou volume de 248 milhões de toneladas, incremento de 2,5%
08 de janeiro de 2020 às 16:31

Culturas de trigo, arroz e feijão tendem a apresentar recuos na produção (Foto Cotricampo, Divulgação/Folha de Caxias)

A estimativa da safra de grãos 2019/2020 indica produção de 248 milhões de toneladas, com aumento de 2,5% na comparação com a anterior. O volume aponta novo recorde da série histórica e foi divulgado, na quarta-feira (8), pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em seu quarto levantamento.

A expectativa é que sejam cultivados 64,2 milhões de hectares, alta de 1,5% em relação à safra anterior. “As condições climáticas, que apresentaram certa instabilidade no início do plantio de verão na maioria das regiões produtoras, tomaram agora um ritmo de normalização. A perspectiva é que os níveis de produtividade apresentem bom desempenho nessa etapa”, avalia a companhia, em documento.

O secretário substituto de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Wilson Vaz de Araújo, disse que os indicadores se devem especialmente ao bom desempenho dos financiamentos para o setor. “Nunca se teve liberação e contratação tão forte de crédito oficial como nos primeiros seis meses do plano safra, de julho a dezembro”. Na avaliação do secretário, isso representa o sentimento de confiança e de credibilidade, não apenas dos produtores, mas também das cooperativas e dos agentes financeiros na agricultura brasileira.

Segundo a Conab, a soja, que vem mantendo a tendência de crescimento nesta temporada, deve registrar aumento da produção em 6,3%, chegando a 122,2 milhões de toneladas. A área plantada registrou incremento crescimento de 2,6%, com 36,8 milhões de hectares.

Para o milho primeira safra, a estimativa é de aumento em 1,1% na área semeada, totalizando 4,15 milhões de hectares, e produção de 26,6 milhões de toneladas, com ganho de 3,8%. “A favor desse desempenho há fatores como o aumento nas exportações brasileiras do cereal e no mercado interno, derivados da demanda por confinamento e produção de etanol, mesmo a despeito da concorrência com a soja”.

O algodão, apesar da tendência de crescimento significativo de área nas duas últimas safras, apresentou variação positiva menor de 2,7%, atingindo 1,6 milhão de hectares. Já a produção do caroço deve chegar a 4,1 milhões de toneladas e a da pluma em 2,8 milhões de toneladas.

A estimativa para o feijão primeira safra é de redução de 1,9% na área plantada em comparação com a temporada passada. A plantação perde espaço para a soja e o milho que apresentam melhor rentabilidade. O trigo, cuja safra está finalizada, deve alcançar 5,15 milhões de toneladas e redução de 5% em relação a 2018. O arroz apresenta tendência para uma redução de 0,7% na área e produção de 10,5 milhões de toneladas.

IBGE aponta produção de 241,5 milhões de toneladas em 2019

A safra de cereais, leguminosas e oleaginosas fechou 2019 com produção recorde de 241,5 milhões de toneladas, segundo a última estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com dados divulgados na quarta (8), a estimativa é 6,6% superior à safra de 2018, de 226,5 milhões de toneladas, e 1,3% maior que o recorde anterior, de 2017, de 238,4 milhões de toneladas.

De acordo com o IBGE, a soja, que é o principal grão, fechou com 113,5 milhões de toneladas, queda de 3,7% em relação a 2018. O arroz também teve redução de 12,6%. Estes recuos foram compensados, principalmente, pelas produções recordes de 100,6 milhões de toneladas de milho, 23,6% a mais que em 2018, e de 6,9 milhões de toneladas de algodão, alta de 39,8%.

O IBGE também divulgou seu terceiro prognóstico para a safra de 2020, que deve aumentar 0,7% sobre a anterior, chegando a 243,2 milhões de toneladas. Entre as seis principais culturas de grãos, apenas a segunda safra do milho deverá apresentar queda em relação em 2019, de 10,4%. As demais deverão apresentar alta: soja, 7,8%; arroz, 0,9%; primeira safra do milho, 1,8%; algodão, 2,7%; e primeira safra de feijão, 3,3%.