Política

Projeto contra o nepotismo gera polêmica no Legislativo

Vereadores criticam o compadrio praticado pelo atual governo de Caxias do Sul
18 de julho de 2019 às 09:18
Foto: Gabriela Bento Alves, Divulgação

O tema foi levantado pelo vereador Alberto Meneguzzi/PSB, na sessão desta quarta-feira (17). No pronunciamento, comentou o projeto de emenda à Lei Orgânica Municipal, cuja ideia foi da bancada do partido, com apoio de mais 15 vereadores de oposição. A matéria visa proibir que cônjuges, companheiros ou parentes dos agentes políticos até o terceiro grau ocupem cargos em comissão (CCs).

Conforme Meneguzzi, a proposta surgiu do que ele considerou como falta de bom senso do prefeito Daniel Guerra/Republicanos. Isso porque o gestor nomeou parentes entre si como CCs no Executivo. “O irmão do prefeito é chefe de Gabinete; o namorado da secretária de Turismo trabalha na Prefeitura; o marido da secretária do Meio Ambiente trabalha na Prefeitura; a cunhada do prefeito trabalha na UPA Zona Norte; a irmã da cunhada do prefeito trabalha na Secretaria do Meio Ambiente e o marido dela, no Samae. O marido da secretária de Recursos Humanos trabalha na Festa da Uva, e assim vai”, enumerou.

Conforme o socialista, não se trata de um projeto político-eleitoreiro ou de promoção pessoal. Ele disse que a intenção é promover a moralidade na política local. “Não é holofote, mas uma oportunidade que a gente tem de estancar para esse prefeito, para os próximos e para quem vier. Inclusive, para nós. Ninguém aqui pensou em qual vereador que tem parente aqui. Nós pensamos no nepotismo em geral, na imoralidade que é, inclusive, se a gente ficar só fazendo discurso”, explicou.

Adiló defende emendas

Em pronunciamento anterior, o vereador Adiló Didomenico/PTB já havia se manifestado sobre o tema. Ele explicou o motivo pelo qual não assinou o projeto. “Quando o vereador Meneguzzi contatou comigo, disse que não assinaria da forma como estava e não voto favorável, hoje, sem fazer uma emenda. Aprendi, ao longo da minha vida, em não fazer injustiça. Do jeito que o projeto está, ele tem que receber alguma adequação para não praticarmos injustiça com as pessoas”, disse o parlamentar. Ele se referiu ao fato de a matéria incluir servidores comissionados com histórico de filiação partidária e trabalho no Executivo ou Legislativo com parentesco comprovado com parlamentares aos quais não prestam serviço.

Na opinião do petebista, não haveria a necessidade de o Legislativo propor a matéria se os governantes respeitassem a ética, os bons costumes e a tradição do povo. “Pretendo apresentar uma emenda e aí, se for acatada, votarei favorável, porque entendo que tem que coibir o nepotismo. Tem que coibir essa farra que está no Executivo, esse compadrio, mas não podemos ser injustos”.

Em resposta, Alberto Meneguzzi se posicionou contra emenda que favoreça o Legislativo. “Não aceitarei nenhum tipo de emenda, não votarei a favor de emenda que privilegie a Câmara de Vereadores. Ou é para os dois poderes ou não é para ninguém. Em nenhum momento, protocolamos projeto pensando em parente de vereador que trabalha aqui dentro, que são muitos. Pensamos é no nepotismo e em como a gente disciplina isso com ética e moralidade, independentemente de quem seja”, ressaltou.

O QUE DISSERAM...

RAFAEL BUENO/PDT – “O vereador Renato Nunes, não é de se estranhar, porque ele tem a esposa como CC na prefeitura. Agora o senhor, vereador Adiló, me surpreendeu realmente. Tem os seus motivos, enfim, mas principalmente por ser um pré-candidato a prefeito poderia mostrar-se contra essas aberrações, esses escândalos que estão acontecendo na cidade”.

RENATO NUNES/PR- “Com respeito ao nobre edil Rafael Bueno, que ele entende que não assinei porque tenho a minha esposa na Codeca, sei que ele me ama muito e ama muito ela. Mas quero dizer que tudo está dentro da lei. E não assinei porque não tinha conhecimento dele e não fui procurado em nenhum momento para assinar”.

ELÓI FRIZZO/PSB - “Há dois anos e meio estamos debatendo aqui a contradição desse governo de nomear parentes, amigos, cunhados, concunhados, namorados, que se chama de compadrio. É legal, mas é imoral. Aí precisa ter a lei. Esse governo, já de início, perdeu toda a moral para continuar dizendo que é coerente. É não sei o quê”.





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