Economia

Produção de aço bruto recua 1,4% no semestre

Entidade do setor define período como ruim e que frustrou expectativas de recuperação
26 de julho de 2019 às 10:03
Foto: Agência Brasil, Divulgação

A produção brasileira de aço bruto registrou queda de 1,4% no primeiro semestre do ano em comparação com o mesmo período de 2018. Segundo o Instituto Aço Brasil, foram produzidas 17,2 milhões de toneladas, 300 mil a menos do que no ano passado. As vendas no mercado interno tiveram ligeira alta, de 1,3%, com a comercialização de 9,2 milhões de toneladas. As exportações registraram queda de 2,4% no volume, totalizando 6,7 milhões de toneladas. Em valores, as vendas para o exterior caíram 5,9%, ficando em US$ 4 bilhões. “Foi um semestre muito ruim, frustrando as expectativas”, afirmou o presidente do Aço Brasil, Marco Polo Lopes. Segundo ele, a produção de aço acompanha diretamente o crescimento da economia, que também teve expansão menor do que a prevista inicialmente.

Com a economia nacional desaquecida, Lopes disse que as indústrias têm buscado as exportações como forma de escoar a produção. “A indústria siderúrgica brasileira está exportando perto de 40% da sua produção. É muita coisa, por conta dessa depressão do mercado interno”, ressaltou.

Instituto reduz projeção de alta

O cenário levou a entidade a rever as estimativas o setor. No início do ano, a projeção era de crescer a produção de aço bruto em 2,2% neste ano. Agora, a expansão é de 0,4%, chegando a 35,5 milhões de toneladas. “Tem uma queda forte ao que tínhamos previsto antes por causa do desempenho do primeiro semestre”, enfatizou o presidente Marco Polo Lopes.

A projeção de vendas para o mercado interno foi cortada quase pela metade, saindo de 4,1%, nas primeiras previsões, para 2,5%. O que significa a comercialização de 19,4 milhões de toneladas. Em relação às exportações, já era esperada queda de 6,1%, que foi atualizada para 7,3% em volume e 12,4% em valores, ficando em US$ 7,7 bilhões no ano.

A queda na produção e os problemas de fornecimento devido ao desastre na mina da empresa Vale, em Brumadinho (MG), também trouxeram impactos negativos para o setor. Segundo o presidente do instituto, houve forte aumento do preço do minério de ferro no mercado internacional. “O minério, antes de Brumadinho, valia US$ 60 a tonelada; após o rompimento da barragem, chegou a US$ 110. Também ocorreu a queda na qualidade do minério”, relatou. A instabilidade na produção da principal mineradora do país tem reflexos ruins na indústria do aço. “É uma situação preocupante, não dá previsibilidade ao setor”, definiu.





Publicidade