Cidades

Políticas púbicas precisam atender o idoso de hoje, visualizando o de amanhã

Com o tema “Os Desafios de Envelhecer no Século 21 e o Papel das Políticas Públicas”, o Bloco J da Universidade de Caxias do Sul (UCS) sediará a 5ª Conferência
29 de março de 2019

Com o tema “Os Desafios de Envelhecer no Século 21 e o Papel das Políticas Públicas”, o Bloco J da Universidade de Caxias do Sul (UCS) sediará a 5ª Conferência Municipal do Idoso, nesta sexta (29), das 8h30 às 17h30. Promovido pelo Conselho Municipal do Idoso (CMI), o evento gerará momentos de reflexão, discussão e avaliação das ações dirigidas às pessoas idosas e dos espaços de participação, bem como a forma como está sendo conduzida a gestão da Política de Garantia dos Direitos da Pessoa Idosa no município. “O objetivo é ouvir a demanda do público, de especialistas e autoridades. Analisar o cenário atual, mas também encontrar medidas que atendam, não só o idoso de hoje, mas o de amanhã”, destacou Vanisse Zancan, presidente do CMI.

A conferência será dividida em quatro eixos temáticos: Direitos Fundamentais na Construção/Efetivação das Políticas Públicas - Saúde, Assistência Social, Previdência, Moradia, Transporte, Cultura, Esporte e Lazer; Educação: assegurando direitos e emancipação humana; Enfrentamento da Violação dos Direitos Humanos da Pessoa Idosa; e Os Conselhos de Direitos: seu papel na efetivação do controle social na geração e implementação das políticas públicas. “Elencaremos prioridades que devem ser levadas em conta no momento da elaboração e da aplicação das políticas públicas. Abordaremos a importância da educação para o envelhecimento. Muitos jovens não se dão conta de todos estamos em constante processo de envelhecimento. Por isso, desde cedo, o ser humano precisa ser educado no trato da sua saúde em todos os aspectos. Nesse contexto, as cidades precisam organizar seus espaços, visando atender essas necessidades”, salientou.

As propostas aprovadas no encontro serão levadas para a Conferência Estadual do Idoso, marcada para os dias 31 de maio, 1 e 2 de junho, em Porto Alegre. Segundo Vanisse, da última conferência realizada em 2013, cerca de 80% das propostas foram implantadas ao longo dos anos. “Tivemos vários avanços. Os de maior relevância são os dois serviços de convivência, a Associação Caxiense de Atenção ao Idoso e Tia Oli, que atendem em torno de 200 idosos. Embora seja um avanço, o ideal é termos um centro de convivência em cada região do município, de forma a estar muito mais próximo dos idosos”, frisou.

Em relação à violência contra o idoso, o CMI recebeu, entre os meses de janeiro a agosto de 2018, 49 denúncias pelo Disque 100 e duas presenciais. Os tipos de violência mais comuns foram de negligência (33%), psicológica (26%), física (22%), e patrimonial (19%). Segundo dados do Ministério da Mulher, da Família e dos Diretos Humanos, em 2017 foram registrados mais de 33 mil casos de agressões a pessoas acima de 60 anos.

 

Tipos de violência mais comuns

 

Física

Em casa ou instituições, empurrões, tapas e chutes abalam corpo e mente e, por vezes, antecipam a morte do idoso.

 

Psicológica

Gritos, insultos, ameaças e constrangimento levam à perda de dignidade, ansiedade e isolamento social da vítima.

 

Negligência

O parente ou cuidador não atende às necessidades básicas da pessoa, como alimentação, higiene e medicamentos.

 

Financeira

O abuso nesse contexto inclui o uso indevido do dinheiro e a apropriação ilegal dos bens da pessoa sob cuidados.

 

Demanda por cuidadores cresce de forma expressiva

 

A expectativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística é que a população idosa mais do que dobre até 2050, saltando de 9,5% para 21,8%. Por consequência, aspectos de saúde terão ainda mais relevância. Redução de mobilidade, maior risco de doenças crônicas e propensão a demências, perda de visão e necessidade de ficar acamado são circunstâncias que exigem cuidados especiais. Por isso, há aumento na demanda de cuidadores de idosos. É a profissão que mais cresce no país. Segundo dados do Ministério do Trabalho, o aumento foi de 547% em 2018.

Essa realidade é um desafio constante para o cuidador. Exige preparo, condições psicológicas e recursos materiais para realizar um trabalho adequado no dia a dia. Para atender essa demanda, a Universidade de Caxias do Sul (UCS), por meio do Programa UCS Sênior, promove a 11ª edição do curso de Cuidadores de Idosos. “O curso é anual, com uma turma de 20 alunos. Esse número limitado é justamente para poder ter um melhor aproveitamento nas partes práticas. Já formamos 200 pessoas, entre homens e mulheres, a maioria com idades entre 21 e 55 anos. São pessoas que começaram cuidando de um familiar e perceberam uma oportunidade de trabalho. Praticamente 50% do nosso público é de profissionais que já atuam na área, buscando aperfeiçoamento”, informou Delcio Antônio Agliardi, coordenador do programa UCS Sênior.

O curso oferece subsídios para a profissionalização no atendimento à pessoa idosa, com abordagem interdisciplinar e conteúdos voltados a aspectos do cuidado humano, do envelhecimento e saúde do idoso; saberes e competências do cuidador; legislação e políticas públicas; aspectos geriátricos, fisioterápicos, psicológicos, nutritivos e espirituais; enfrentamento do luto, primeiros socorros e atendimento domiciliar. “A pessoa que quer ingressar nessa profissão, também precisa ter uma ética muito grande no trato com o ser humano, ter empatia. Posteriormente, sempre se inteirar sobre a pessoa a qual ele será responsável”, ressaltou. As inscrições podem ser feitas até 25 de abril no site ucs.br, ou presencialmente, na Central de Atendimento da Galeria Universitária. A formação, com carga horária de 76 horas, será feita em aulas de 27 de abril a 28 de setembro, aos sábados, das 8h30 às 12h30.