Política

Polêmicas centralizam debate no Legislativo

Vereadores aprovaram requerimento sobre a Festa da Uva e arquivaram projeto que pretendia proibir o debate sobre ideologia de gênero na rede pública de educação
17 de maio de 2019 às 12:18
Foto: Gabriela Bento Alves, Divulgação

O plenário da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul viveu mais um dia de polêmicas, nesta quinta-feira (16). A votação de dois temas centralizou as discussões entre situação e oposição. O primeiro deles foi um pedido de informações ao Executivo a respeito da 32ª Festa da Uva, aprovado por unanimidade.

O documento é de autoria dos vereadores Adiló Didomenico/PTB, Elói Frizzo/PSB, Paulo Périco/MDB e Rafael Bueno/PDT. Em 32 questionamentos, eles solicitam informações sobre receitas e despesas, valores pagos a empresa Imply e cópias de contratos, lista de expositores e de patrocinadores. "Encaminhamos esse pedido com o intuito de esclarecer à sociedade alguns questionamentos pertinentes e que ficaram sem explicações. Por exemplo: a Festa da Uva divulga lucro de R$ 70 mil, mas primeiro temos de falar do prejuízo social e cultural que o evento causou à cidade”, explicou.

Bueno também pediu a convocação da presidente da Comissão Comunitária, Sandra Randon. Segundo o pedetista, ela é ré na ação movida pela Associação de Defesa dos Consumidores de Caxias do Sul contra a comissão. “É perto de R$ 1 milhão em prejuízo que terá que ser pago nesta ação. Dinheiro público do contribuinte”, contabiliza o vereador.

O QUE DISSERAM...

Adiló Didomenico/PTB – “Ela foi valente, muito ainda pelo seu empenho e esforço, porque fazer Festa da Uva com um prefeito e uma administração que hostiliza todos os parceiros. Temos que admitir que essa festa fracassou, seja pela inexperiência, seja por falta de parceria, mas, principalmente, pela falta de apoio do Executivo”.

Gustavo Toigo/PDT – “Não se trata de avaliar se teve mais ou menos lucro. O que precisamos avaliar é que a Festa movimenta a economia da cidade. Festa da Uva é uma obra de governo. Ela reflete como vai uma administração. Não se pode dissociar o fato de que ali estão pessoas de confiança do prefeito”.

Rodrigo Beltrão/PT – “Quando a gente fala em Festa da Uva, é óbvio, isso é do jogo, é claro que os governos querem fazer uma boa festa, principalmente, quando se aproxima o período eleitoral. Ela não é dos governos, é da cidade. Parece forte, mas é até carinhoso, perto do que foi, dizer que foi uma festa medíocre. Diminuiu o nome de Caxias do Sul”.

Renato Nunes/PR – “Vocês, da oposição, têm que afinar o discurso. Cada um atira para um lado. Por isso que a gente viu muitos grupos políticos, partidários, principalmente, aqueles que perderam as últimas eleições, não participarem, não contribuírem. Essa festa não é política, não é de um governo. Ela é uma festa da cidade”.

Elisandro Fiuza/PRB – “A festa não foi um desastre, porque tudo é um desastre, tudo é ruim, tudo está acabado, estão destruindo a cidade. São adjetivos que, com todo o respeito, tenham mais nobreza nas suas colocações. Se disserem que houve falhas, positivo, correto. Precisamos ter a responsabilidade da contabilidade. É para fazer uma festa para a sociedade e os visitantes”.

Arquivado projeto sobre a identidade de gênero

O segundo tema polêmico envolveu a votação do parecer pelo arquivamento do projeto de autoria do Executivo, que regulamentava a proibição da construção, divulgação e apreciação de material sobre a ideologia e ou identidade de gênero nas escolas da rede pública de Caxias do Sul. O parecer foi de autoria da relatora, vereadora Paula Ioris/PSDB, integrante da Comissão de Constituição, Justiça e Legislação, e foi acatado por maioria de votos. O relatório foi lido pelo vereador Felipe Gremelmaier/MDB, tendo em vista a ausência da parlamentar por motivo de estar representando a Casa em evento externo.

Um dos vereadores que votou pelo acolhimento do parecer foi Rafael Bueno/PDT. Segundo ele, mais uma vez, o Executivo demonstrou autoritarismo ao enviar a matéria para a Câmara de Vereadores sem consultar a sociedade. “O prefeito deveria ter conversado com todos que fazem a educação na cidade. Deveria, sim, se preocupar com a situação de depredação das escolas, da falta de transporte escolar. A comunidade caxiense precisa saber que 28 diretores de escolas entregaram abaixo-assinado na Câmara Municipal implorando por melhorias na infraestrutura”, afirmou.

Quem também votou contra o Executivo foi a vereadora Denise Pessôa/PT. Quando o projeto foi protocolado, ela foi autora de um pedido de informações à secretaria Municipal de Educação. Na época, o prefeito Daniel Guerra/PRB chegou a afirmar que o projeto havia surgido depois de denúncias e reclamações de pais de alunos sobre difusão de materiais sobre ideologia de gênero nas escolas. “Esse projeto de lei é mais um instrumento de homofobia, de transfobia e discriminação contra uma população que já vem sofrendo, e muito, no Brasil. O poder público não pode fomentar ainda mais a violência. A gente tem um monte de problemas estruturais nas escolas e não vemos as ações”, ressalta.

Em defesa da proposta do Executivo, saiu o vereador Renato Nunes/PR. Ele disse que defende uma parcela da população: a família tradicional e conservadora. “De acordo com meus princípios cristãos, sem trazer uma pregação religiosa ao plenário, os princípios de Deus. Talvez a Bíblia para muitos não é nada. É só um livro lá atirado no Salmo 23 ou 91”, declarou.





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