Economia

Pesquisa aponta alta na inadimplência dos gaúchos

Endividamento é menor que há um ano, mas o número de famílias com dívidas em atraso cresceu pela terceira vez seguida
17 de junho de 2019 às 12:49

Embora o percentual de famílias gaúchas endividadas em maio deste ano seja inferior ao mesmo período em 2018, a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor apresentou a terceira elevação do índice de famílias com dívidas em atraso e o segundo avanço consecutivo daquelas que não terão condições de pagar nos próximos 30 dias. As informações divulgadas pela Fecomércio-RS acendem o alerta sobre as condições de endividamento dos gaúchos nos últimos meses.

Para o presidente da entidade, Luiz Carlos Bohn, a atenção deve estar focada nos indicadores de inadimplência. "O número de famílias endividadas não é problema por si só. Acessar crédito é algo bom para a pessoa e para a economia. O problema é quando o endividamento não consegue ser manejado, o que acaba implicando em inadimplência", comenta.
O índice das famílias endividadas em maio deste ano foi de 64,8%, enquanto em 2018 fora de 67,5%. Entre aquelas com rendimento de até 10 salários mínimos, que compõem 80,7% da amostra da pesquisa, houve aumento na passagem de abril para maio, de 60,6% para 61,6%. Já entre as famílias com receita acima de 10 salários mínimos, o endividamento caiu de 82,1% para 78,5%.
A parcela da renda comprometida teve avanço sobre abril, passando de 29,7% para 29,9%. Dentro deste ínterim, também foi analisado o tempo de comprometimento com dívidas, que teve redução considerável, de 7,5 meses para 5,3 meses, nos últimos 12 meses. O cartão de crédito foi apontado por 77,6% dos entrevistados como a principal forma de contrair dívida. Na sequência estão carnês (28,5%), financiamento de carro (14%) e crédito pessoal (13,9%).
Com relação às dívidas em atraso, o índice de maio foi de 19,1%, abaixo do indicador de 2018 (31,6%). Porém, houve aumento com relação a abril, quando o índice era de 17,7%.
O número de famílias que não terá condições de regularizar suas dívidas nos próximos 30 dias aponta, ainda, para a insistência da inadimplência. Na passagem mensal, o indicador avançou de 6,7% para 7,6%, embora abaixo do atingido em maio de 2018, de 9,4%. Na média em 12 meses, houve pequena redução de 5,7% para 5,6%.

 

Situação se repete no cenário nacional

 

O indicador de famílias endividadas no país ficou em 63,4% em maio. Segundo dados divulgados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, a parcela de famílias endividadas é superior àquela registrada em abril, de 62,7%. Essa é a quinta alta consecutiva do indicador nesse tipo de comparação. A parcela dos endividados também cresceu na comparação com maio do ano passado, quando foi registrada taxa de 59,1%.

O índice de famílias inadimplentes, isto é, com dívidas ou contas em atraso, ficou em 24,1%, acima dos 23,9% de abril deste ano, mas abaixo dos 24,2% de maio de 2018. Já as famílias sem condições de pagar suas contas ou dívidas somam 9,5%, o mesmo índice de abril, mas abaixo dos 9,9% de maio do ano passado.

O número de famílias que se considera muito endividadas caiu para 12,9%. Em abril, eram 13% e, em maio do ano passado, 13,4%. A maior parte das dívidas (78,6%) se refere a cartões de crédito. O tempo médio de comprometimento com dívidas é de sete meses e de pagamento em atraso é de 62,9 dias.