Economia

Pela primeira vez no ano, cai a intenção de consumo dos gaúchos

Pesquisa da Fecomércio aponta que consumidor não espera melhora nos próximos seis meses
29 de maio de 2019 às 12:30
Foto: Alexandre Manzoni, Divulgação/ BD

Após cinco meses de aumento consecutivo, o indicador de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) no Rio Grande do Sul apresentou pequeno recuo em maio, de acordo com levantamento da Fecomércio, divulgado nesta terça-feira (28). Ao atingir 91,4 pontos, a variação foi de menos 0,6% em relação ao mês anterior. Mas quando comparado com o mesmo período de 2018, o resultado representa alta de 18,7%. A média de 12 meses também registrou aumento, alcançando 84,3 pontos. "A intenção de consumo das famílias é medida a partir de sete dimensões. Em maio, cinco das sete apresentaram recuo na margem. O consumo atual foi o que registrou maior retração, de 2,1%, na comparação com o mês anterior. Embora o indicador seja superior ao do ano passado, permanece em patamar pessimista, o que se traduz em cautela das famílias na hora de consumir", destaca o presidente Luiz Carlos Bohn. Com relação à situação do emprego, o indicador permaneceu praticamente estável. Já na avaliação da renda atual, houve redução na comparação com o mês anterior. O pico inflacionário recente repercutiu em perda do poder de compra, com reflexo sobre o indicador. Porém, quando comparados com o mesmo período do ano passado, os índices apresentaram altas de 10,2% e 10,7%, respectivamente. Mesmo com recuo de 2,1% do nível de consumo atual na passagem de abril para maio, o mesmo indicador registrou aumento de 51,5% em comparação com o ano passado. No entanto, a base diz respeito a um período extremamente deprimido. "A inflação dos alimentos e combustíveis nos dois últimos meses impactaram na capacidade de consumo das famílias. O indicador traduz isso", explica Bohn. Com uma avaliação pessimista desde maio de 2015, o acesso ao crédito é outro indicador que teve retração em comparação com o mês passado, de 1,3%, reflexo da dificuldade de melhora no cenário econômico no primeiro trimestre de 2019. Em comparação com maio de 2018, o indicador teve alta de 19,5%. Embora o indicador que avalia o consumo de bens duráveis tenha aumentado 28,7% em comparação com o ano passado e seja o único aspecto avaliado positivamente em comparação com abril, na margem ele se mantém muito abaixo dos 100 pontos, patamar considerado neutro.

A perspectiva profissional teve variação de menos 1,5% em comparação com o mês passado, embora tenha registrado avanço de 3,1% em relação ao mesmo período de 2018. Já a expectativa de consumo alcançou 101,5 pontos, variando menos 0,8% em comparação com abril e crescimento de 18,5% sobre o ano passado. "A percepção sobre a perspectiva profissional demonstra que a maior parte dos entrevistados não espera melhora no cenário nos próximos seis meses e, embora o indicador que diz respeito ao consumo futuro seja maior do que o de 2018, ele permanece próximo aos 100 pontos. Esta configuração reforça a cautela das famílias enquanto não perceberem maior estabilidade e segurança não só com relação ao mercado de trabalho como também do cenário econômico de modo geral", avalia.





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