Política

Partidos e entidades se unem em defesa do Parque do Caracol

09 de agosto de 2019 às 09:14
Foto: Gustavo Bauer/Divulgação

CANELA - Canela viveu um momento histórico na noite de quarta-feira (7), quando reuniu representantes de oito partidos políticos e diversas entidades do município para debater o futuro do Parque Estadual do Caracol. O encontro suprapartidário, fruto de uma iniciativa do PDT e do secretário Luiz Claudio da Silva (MDB), resultou no lançamento de uma Carta Aberta defendendo a renovação da concessão do Parque do Caracol ao Município. O documento será entregue ao prefeito Constantino Orsolin, que não participou do encontro. Nesta semana ganhou força a possibilidade do Governo do Estado privatizar o espaço público, em razão da crise nas finanças públicas. A concessão do parque encerra em agosto de 2020.

O Parque do Caracol, além de principal fonte de arrecadação para eventos como o Sonho de Natal (segundo maior evento natalino do país), tem seu valor histórico e um grande potencial turístico. Foram 350 mil visitantes e um faturamento de cerca de R$ 5 milhões em 2018. Deste valor bruto, 80% fica com o Município e 20% é repassado ao Estado. Perder o parque seria um retrocesso para Canela, afetando seu desenvolvimento e soando como um golpe na autoestima dos canelenses.

Presidente do PDT de Canela, Gino Bazzan afirma que o encontro foi o primeiro passo para uma mobilização que deve ganhar ainda mais força. "Conseguimos reunir diversos partidos e entidades para uma causa conjunta. Isso mostra que a pacificação política funciona quando o interesse é Canela. Agora vamos mobilizar ainda mais entidades e a comunidade em geral para defender a renovação da concessão. Vamos entregar a carta ao prefeito Constantino Orsolin e levar essa demanda aos nossos deputados na Assembleia Legislativa", destaca Gino.

O encontro contou ainda com a participação de representantes do MDB, PSL, PSDB, PT, PP, PTB e Cidadania. Também assinaram o documento integrantes da Fundação Cultural de Canela, Rotary Club de Canela, Associação Ecológica Canela (Assecan), Movimento Ambientalista da Região das Hortênsias (MARH), Associação Comercial e Industrial de Canela (ACIC), Amigos do Parque do Palácio, Fundação Moã e Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Comdema).

Confira na íntegra o conteúdo da Carta Aberta:

"Nós, representantes dos partidos políticos e entidades do município de Canela, conscientes da importância da união de todos para a conquista das demandas da comunidade, manifestamos nosso nosso desejo para que a concessão do Parque Estadual do Caracol seja renovada em 2020 com o Governo do Estado do Rio Grande do Sul.

O Parque Estadual do Caracol, além de fonte de arrecadação para eventos como o Sonho de Natal (um dos maiores do país), tem seu valor histórico. Afinal, foi no entorno da cascata, um dos símbolos indissociáveis desta terra, que já no início do século passado prosperavam a hotelaria e a atividade madeireira que resultariam nos dois grandes pilares a originar a cidade: a indústria e o turismo.

Enquanto a madeira fazia a economia prosperar, o primeiro nicho de turismo se desenvolvia pelos lados do Caracol: o de saúde. Era para lá onde médicos orientavam seus pacientes a caminhar pelas matas durante a madrugada, a fim de buscar a cura contra doenças respiratórias.

A madeira e o turismo, nos primeiros anos pós-emancipatórios, destacaram o município muito além dos limites regionais. A visibilidade de Canela não foi à toa, e isso levou o Governo do Estado a desapropriar a área do Caracol para transformar em uma referência para milhares de visitantes.

Hoje, não são poucos os turistas a circular pelas nossas ruas, pelos parques, pela rede hoteleira, gastronômica e de entretenimento. E isso, certamente, é contribuição do Parque Estadual do Caracol, um dos ícones da cidade de Canela e responsável pelo fomento de oportunidades que fizeram o município se destacar como um dos grandes destinos do país.

Se Canela chegou onde está, muito se deve ao Parque Estadual do Caracol, cuja arrecadação chega a cerca de R$ 5 milhões por ano. Desse valor, R$ 1 milhão vai para o Estado, uma parceria justa considerada vital para o futuro de Canela.

A não renovação da concessão seria um retrocesso para o município, não somente pela questão arrecadatória, mas por desconsiderar todo o contexto histórico-econômico pelo qual a comunidade cresceu e se desenvolveu ao longo das décadas. Da mesma forma, perdê-lo soaria como um golpe na autoestima dos canelenses, que veem naquele pedaço de chão uma das identidades mais ricas de sua terra: a natureza.

Por tudo isso, os partidos e entidades de Canela chamam toda a comunidade para essa luta que é de todos. O Parque Estadual do Caracol não pode deixar de ser de Canela!"





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