Cidades

Oscilações vão marcar o inverno

Influência moderada do fenômeno El Niño deve provocar chuva acima da média; frio não será tão intenso
24 de junho de 2019 às 12:55
Foto: Luiz Erbes, Divulgação

O período das temperaturas mais frias do ano, o inverno, teve início nesta sexta-feira (21) e se estenderá até o dia 23 de setembro. Conforme dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), desde meados da primavera de 2018, até a primeira quinzena deste mês, vem sendo registrado o fenômeno El Niño, de fraca intensidade, o que deve se manter até praticamente o final da primavera 2019.

 No entanto,o prognóstico do Inmet, indica que as chuvas ocorrerão acima da média em grande parte dos três estados do Sul do Brasil. A maior frequência das frentes frias contribuirá para maiores variações nas temperaturas ao longo deste trimestre, porém as temperaturas médias devem permanecer acima da média climatológica, exceto na metade sul do Rio Grande do Sul e leste de Santa Catarina, onde o inverno deverá ocorrer dentro da normalidade com temperaturas mínimas podendo atingir valores abaixo de 0ºC em áreas serranas e planalto, principalmente no mês de julho, o que pode ocasionar formação de geadas e até queda de neve.  

Fato que se ocorrer será muito benéfico para fruticultores. Conforme o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Caxias do Sul, Rudimar Menegotto, o que vêm preocupando muito os agricultores da região é a questão de o outono ter passado sem ter registrado temperaturas baixas. “Principalmente para o segmento da fruticultura, é muito necessário que tenhamos frio. Temos o inverno todo pela frente, mas se as temperaturas não caírem, poderemos ter problema no desenvolvimento da próxima safra. No ciclo normal em maio e junho, já se começa a ter temperaturas mais amenas. Mas o que temos visto, são temperaturas que às vezes chegam próximo de 30ºC. Isso não é bom, pois temos registros de pessegueiros já florescendo”, frisou.

Menegotto explicou que todas as principais culturas frutíferas da região necessitam em menor ou maior escala de uma certa quantidade de horas de frio inferior a  7,2 ºC. Com isto, elas conseguem entrar no período de dormência. Que é quando a planta tem o seu desenvolvimento temporariamente suspenso. Minimizando o gasto energético, por reduzir a atividade metabólica, ela conserva a energia que será fundamental para posterior floração. “Esse período, tem início após o término do inverno, qualquer floração que venha antes, não é bem vindo. O ideal seria se tivéssemos entre 400 e 500 horas de frio, o que garantiria um bom período de dormência e provavelmente uma boa safra”, explicou.

Para o pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, Adeliano Cargnin, o fato de o outono ter registrado precipitação abaixo da média pode ter alguns impactos até positivos, mas é fora do normal. “Geralmente as temperaturas começam a cair em maio, estamos praticamente no final de junho e ainda não fez frio. Embora a quantidade de frio varie de acordo coma espécie e variedades, é necessário que tenhamos pelo menos 300 horas abaixo de 7.2ºCno decorrer deste inverno. A macieira por exemplo, para ter uma boa frutificação, é a que mais necessita de horas de frio, 500 horas”, informou.

Sobre as demais culturas, como as hortaliças, Menegotto disse que o inverno tem pouca influência, pois amaior parte dos produtores, está localizado nas regiões mais baixas do município, onde raramente cai geada. “No mais, é ter os cuidados básicos, se possível as protegendo com túneis e estufas de plástico, ficar atento ao excesso de umidade e aumento de incidência de doenças fúngicas”.Na produção de animais, Menegotto salientou que os pecuaristas já fizeramo plantio deforrageiras de inverno, anuais ou perenes, diminuindo assim, acarga animal em pastagens naturais, o que atrelado com os cuidados habituais, é o necessário para está época do ano.

Para falar como está a estrutura de saúde de Caxias do Sul, para atendera população nesta época do ano, em, que tradicionalmente aumenta a demanda por atendimentos e tratamentos, em decorrências de doenças de inverno, a assessoria de imprensa da Secretária Municipal de Saúde informou que nenhum dos médicos especialistas em doenças relacionadas ao frio, se dispuseram a falar.





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