Cidades

Número de atendimentos por violência sexual cresce no HG

Alicerçado em normas técnicas do Ministério da Saúde, o Rio Grande do Sul tem sete hospitais de referência para interrupção de gravidez por estupro.
08 de abril de 2019

Alicerçado em normas técnicas do Ministério da Saúde, o Rio Grande do Sul tem sete hospitais de referência para interrupção de gravidez por estupro. Na Serra Gaúcha, o Hospital Geral (HG) de Caxias do Sul, faz o procedimento por meio do Programa de Atendimento às Vítimas de Violência Sexual (Pravivis) desde 2001.

Preferencialmente, o serviço visa atender vítimas de agressões recentes, de forma que se possa proteger a pessoa de uma doença sexualmente contagiosa ou materna grave que ponha em risco a vida da gestante e por motivo de interrupção terapêutica (fetos com doenças incompatíveis com a vida extra-uterina). “O foco principal do programa é fazer profilaxia. Ou seja, prevenir que a vítima desenvolva doenças após uma relação indesejada. Orientamos e repassamos informações para também prevenir uma gravidez proveniente dessas circunstâncias”, ressaltou Sônia Madi, coordenadora do Pravivis.

Sem divulgar dados, a médica relatou que o número de atendimentos vem aumentando a cada ano. Mulheres jovens da região são as que mais requisitam o Pravivis, que também atende homens, adolescentes e crianças vítimas da violência sexual. “Engana-se quem pensa que a violência acontece somente à noite. No trabalho, em casa, na rua, o risco de ser violentada está disseminado em qualquer horário. O que mudou foi o comportamento da vítima: antes, o silêncio predominava; agora não. As vítimas estão buscando socorro e denunciando mais, pois existe uma retaguarda”, destacou.

Disponível 24 horas, todos os dias, o Pravivis, além prestar atendimento médico, assistencial e psicológico por seis meses, realiza coleta e arquivamento de material para eventual pesquisa de DNA do agressor, visando à sua identificação (armazenado, com autorização da vítima, no prontuário). Orienta sobre a realização do Boletim de Ocorrência (facultativo para maiores e obrigatório para menores) e de exame físico no Instituto Médico Legal.

Após a realização de todos os exames, é fornecido ao paciente medicamento por 28 dias. “Fazemos de tudo para preservar a saúde, resgatar a autoestima e estimular o cuidado com a saúde reprodutiva. O atendimento é imediato, tão logo a pessoa nos procure. Quanto mais cedo buscar socorro melhor. No caso de interrupção de gravidez, o ideal é até o terceiro mês”, frisou.

 

Meninas de 10 a 14 anos são as que mais sofrem

 

Serviços como o Pravivis se fazem ainda mais importantes diante dos dados apresentados no 2º Seminário Construindo Redes de Atenção à Saúde das Pessoas em Situação de Violência Sexual, realizado recentemente em Porto Alegre. De acordo o Núcleo de Doenças e Agravos não Transmissíveis do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), os dados epidemiológicos da violência sexual em todas as faixas etárias e gêneros mostram que meninas de 10 a 14 anos são as principais vítimas de violência sexual no estado. Esse grupo representa mais de 30% dos casos notificados pelos municípios no Sistema Nacional de Notificações.

Segundo a técnica do Cevs, Márcia Fell, a maior parte dos casos ocorre nas residências, o que leva a crer que os agressores são conhecidos das vítimas. Outro dado que requer atenção é que perto de 45% dos casos é de repetição, o que pode configurar violência crônica.

A violência física é a mais notificada no estado; a sexual aparece com 10%. Mas para a técnica do Cevs, esses números devem ser de quatro a cinco vezes maiores, possivelmente pela vergonha e falta de coragem das pessoas em procurarem os serviços.

No evento também foi lançada a segunda edição do Guia de Atendimento em Saúde às Pessoas em Situação de Violência Sexual. Nele são indicados os 21 serviços especializados em funcionamento no Rio Grande do Sul, além de informações sobre legislação, notificação, profilaxias e interrupção de gravidez em caso de estupro.

Os exemplares serão distribuídos pelas 19 Coordenadorias Regionais de Saúde para todos os municípios. “É um material de fácil compreensão, que traz orientações muito importantes. Se aplicadas, fazem toda a diferença em prol a saúde da vítima”, ressaltou Nadiane Lemos, coordenadora da seção de Saúde da Mulher da Secretaria Estadual da Saúde.

 

A importância das primeiras 72 horas

 

Uma das orientações mais importantes é que os casos de violência sexual aguda devem chegar aos serviços de saúde em até 72 horas para que seja feita a profilaxia para evitar a infecção pelo HIV. Após este período, deverão ser realizados exames de investigação de Infecções Sexualmente Transmissíveis. Existe também a anticoncepção de emergência. Todos os serviços de saúde devem estar preparados para oferecer respostas a essas demandas.

 

Contato de serviços em Caxias

 

Coordenadoria da Mulher: 3218.6026

Centro de Referência para a Mulher: 3218.6112
Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher: 3220.9280
Patrulha Maria da Penha: 9 8423.2154
Central de Atendimento à Mulher: 180

Hospital Geral: 3218-7200