Política

Mulher acorrenta-se à porta de UBS para ter atendimento

Fato ocorreu na manhã desta quarta, em Ana Rech, e motivou fortes críticas ao Executivo na sessão da Câmara
04 de julho de 2019 às 12:49
Foto: Divulgação

O parlamentar Renato Oliveira/PCdoB reclamou, na sessão ordinária desta quarta-feira (3), da falta de médicos na Unidade Básica de Saúde (UBS) de Ana Rech. Segundo o vereador, já não há vagas para consulta para o mês de julho. Oliveira esteve no local nesta manhã e presenciou uma senhora acorrentada, em frente à porta da UBS, à espera de atendimento.

Geni Salete da Silva, 59 anos, denunciou que a falta de um clínico-geral exige que ela saia de casa, no limite de Caxias do Sul com São Marcos, às 3h30, para tentar ser atendida. As imagens foram mostradas no telão do plenário do Legislativo. “Nenhum governo será mais prejudicial a Caxias do que o atual. O prefeito só quer ganhar manchete no jornal, trocando o secretariado de forma constante”, criticou.

O vereador afirmou que o médico trabalha 12h por semana, sendo assim, atende no local segunda e terça-feira. Diante dessa precariedade no atendimento, na avaliação do parlamentar, o prefeito Daniel Guerra/PRB está prejudicando a saúde pública. Kiko Girardi/PSD questionou o fato de ter dinheiro para reformar a praça e não para admitir mais médicos.

O vereador Alceu Thomé/PTB definiu como surpreendente a situação. Ele esteve na UBS Ana Rech, nesta madrugada, e presenciou a cena da mulher acorrentada em frente à unidade. Na mesma direção, Gladis Frizzo/MDB afirmou que a situação é preocupante. A emedebista relatou que é feita triagem para saber quem será atendido, medida que é adotada em pronto atendimento. Elói Frizzo/PSB definiu que situações como estas constrangem o poder público. Disse que os problemas na saúde são históricos no município. Alertou, porém, que gestões passadas fizeram esforços para minimizar os problemas.

Rafael Bueno/PDT destacou que dezenas de pessoas levaram faixas e cartazes ao protesto em frente à UBS e reivindicaram a presença de mais servidores da saúde. "Para buscar consultas, muitas pessoas têm que chegar as três, quatro da madrugada. Um absurdo, uma completa falta de respeito. Enquanto isso, o reizinho (prefeito Daniel Guerra) manda gastar R$ 50 mil na reforma do seu gabinete, quer dizer, do seu palácio", indignou-se. Cobrou a conclusão das obras do Hospital Geral, que proporcionaria abertura de 130 novos leitos, e a reabertura do Pronto Atendimento 24 horas.

 

40 mil esperam por consultas

 

Na sessão desta quarta, o vereador Rafael Bueno/PDT apresentou as respostas de mais um pedido de informações solicitado ao Município. Segundo os dados trazidos pela própria Prefeitura, mais de 40 mil pessoas esperam na lista de espera por consultas, 8 mil por exames e cerca de 5 mil de cirurgias. "Isso é um retrato da falência do Sistema Único de Saúde (SUS) no município de Caxias do Sul, que começou com a falta de diálogo com os médicos e servidores, mas principalmente com o desmonte da assistência básica em Unidades Básicas de Saúde (UBSs), como Ana Rech, Serrano, Vila Ipê e outras regiões da cidade. O sistema foi completamente desarticulado. Os mutirões de saúde feitos pela Prefeitura enganaram, ludibriaram a população e causaram falsas expectativas", criticou o pedetista.