Economia

MobiCaxias apresenta projetos para reinventar Caxias do Sul

Propostas visam ampliar infraestrutura da região e manter a cidade na rota do crescimento.
26 de julho de 2019 às 15:57
Foto: Márcio Leandro Barth

Estradas duplicadas conectando a Serra Gaúcha a outras regiões do estado e país, um aeroporto e uma ferrovia de cargas, um moderno porto em Torres, transformação em uma cidade turística e a construção de um ambiente de negócios ainda mais propício, além de transformações urbanas para melhorar a vida das pessoas. Esses projetos constam do MobiCaxias e foram apresentados na noite de quinta (25) como relevantes para manter Caxias do Sul no caminho do desenvolvimento.

O encontro, no Ponto de Cultura da UAB (União das Associações de Bairros), teve as presenças de empresários, de entidades ligadas ao MobiCaxias e do secretário estadual de Parcerias do Rio Grande do Sul, Bruno Vanuzzi. O desafio será viabilizar o que está no papel, superando a burocracia e a escassez de recursos para a realização de grandes obras no país. "O objetivo do Mobi Caxias é repensar Caxias para 2040, quando a cidade chega aos 150 anos de emancipação política, e criar condições para que continue crescendo", disse o empresário Carlos Zignani, que comanda a iniciativa, que envolve 33 entidades e conta com três câmeras que abarcam os temas centrais. "O Mobi não pode concretizar esses investimentos, mas lutar e auxiliar na busca de parcerias para a efetivação dos projetos”.

 

Infraestrutura lidera ranking de prioridades

 

A área que traz os projetos mais ousados, e que lidera as demandas de entidades e empresários, é a da infraestrutura. Sem grandes investimentos há décadas - a Rota do Sol foi uma experiência quase traumática, que andou a passos de tartaruga -, a região dependerá de vários bilhões de reais para continuar competitiva no futuro. Sob a liderança de Delmar Perizollo, a Câmara de Infraestrutura listou as demandas para o futuro, mas não esqueceu as do presente. "Temos uma necessidade de investimentos para a recuperação das rodovias. Estamos preocupados com os tapa-buracos, que não podem ser meros tapa-buracos", disse.

O primeiro ponto abordado foi o do Aeroporto de Vila Oliva. A ideia, lançada há alguns anos, já conta com uma verba contingenciada pelo governo federal, de R$ 196 milhões, mas depende da desapropriação de uma área ocupada por oito famílias. Essa parte depende da Prefeitura, ausente do encontro que tratou do futuro de Caxias do Sul.

O projeto da ferrovia visa criar uma ligação entre o Litoral Norte e região das Missões, passando pela Serra Gaúcha e pelo Planalto. A proposta prevê conexões com o aeroporto de Vila Oliva e com ferrovias já existentes. Há planos ainda de uma ferrovia de passageiros, ligando o trecho Caxias do Sul-Bento Gonçalves. Os trilhos para levar parte da produção gaúcha, no entanto, só farão sentido caso haja a construção do Porto de Torres, considerado como relevante para o escoamento da produção de grãos e da indústria.

A estrutura rodoviária, no entanto, é a que mais depende de uma atualização estrutural.  A professora Monica Matias elencou uma série de investimentos considerados vitais, tanto nos acessos à cidade como na conexão da Serra com a Região Metropolitana de Porto Alegre. “Precisamos desses investimentos não para daqui a seis ou 10 anos, mas para amanhã”, disse.

Monica listou cinco obras prioritárias: prolongamento da Rodovia do Parque até Portão; duplicação da RS-122, no trecho entre São Vendelino e Farroupilha; duplicação da RS-453, entre Farroupilha e Garibaldi e do contorno de Caxias do Sul; duplicação da RS-446, entre São Vendelino e Carlos Barbosa; e a conclusão da BR-470, com o asfaltamento do trecho entre André da Rocha a Lagoa Vermelha. O investimento, segundo ela, é próximo a R$ 3 bilhões.

O tema da infraestrutura é considerado vital para uma revitalização da economia, com a manutenção de empresas na região e a atração de novos negócios. “Se não tivermos estrutura não seremos competitivos. Não existe competitividade sem logística”, disse Astor Schmitt.

 

Propostas para “virar o jogo”

 

A Câmara de Atração de Investimentos, comandada por Sérgio Bortolatto, apresentou cinco projetos considerados prioritários para melhorar a imagem de Caxias do Sul, além de reter e atrair novos negócios. O trabalho se baseia em cidades que, segundo o MobiCaxias, estão "virando o jogo", como Maringá, no Paraná. Os projetos são a elaboração do Perfil Socioeconômico de Caxias, para conhecer os números da cidade; Ambiente Institucional e Comunicação, visando promover a cidade e a implantação de uma agenda de Caxias; Promoção da Interação do Ecossistema de Inovação, buscando estimular projetos inovadores com demanda de mão de obra qualificada e retenção de talentos; e Apoio Tecnológico à Desburocratização, com intuito de agilizar investimentos; e o Centralidades Urbanas.

O último projeto, com o nome Co.Crie: Projeto de Requalificação e Geração de Negócios, foi explicado por Giovana Ulian. "São regiões que já figuram como uma microcidade, com tudo em sua área", explicou Giovana, que citou uma área, de 100 hectares, no Bairro São Pelegrino como exemplo. É uma área de 8,2 mil habitantes, tem renda média familiar de R$ 7,7 mil e sedia 2,2 mil CNPJ ativos. Também defendeu a importância de se valorizar Caxias do Sul. "Temos todos os elementos para a construção de uma cidade melhor. Só depende de nós. Basta puxarmos para o mesmo lado".

A Câmara de Desenvolvimento do Turismo seguiu na mesma linha, procurando valorizar o potencial da cidade. "Caxias do Sul tem muitos atrativos com potencial para o turismo", disse Lisete Oselame, citando o Parque da Festa da Uva, com a Réplica 1885 e o Cristo Terceiro Milênio, e a Maesa, prédio tombado à espera de definição sobre o seu uso por parte do Município. Lisete também destacou a importância de se valorizar a Festa da Uva, por levar o nome da cidade ao Brasil.

 

Secretário aponta PPPs como solução

 

Palestrante da noite, o secretário de Parcerias do Rio Grande do Sul, Bruno Vanuzzi, defendeu a uso de Parcerias Público-Privadas (PPPs) para driblar a burocracia e realizar os investimentos em infraestrutura, saúde e educação. Citou iniciativas com êxito e afirmou: "Assim serão feitas as concessões das próximas rodovias, as administrações dos parques e as privatizações da CEEE, Companhia Riograndense de Mineração e Sulgás".

As PPPs não são novas, estão previstas na lei 11.079, de 2004, e permitem a contratação de empresas para a realização de obras e prestação de serviços públicos, mediante pagamento ou cobranças por serviços, como pedágios em rodovias. Na palestra, Vanuzzi relacionou algumas vantagens como desburocratização em relação ao processo licitatório, sem a necessidade de especificar cada detalhe de uma obra, por exemplo; melhoria na prestação de serviços, por conta da adoção de práticas empresariais; e uso de financiamentos privados, em tempos em que os estados apresentam déficit e faltam recursos para a realização de investimentos.

O secretário citou o exemplo do Hospital do Subúrbio, de Salvador (BA), a primeira unidade hospitalar pública do Brasil viabilizada por meio de PPP. Segundo Vanuzzi, presta um atendimento superior aos geridos pelo poder público. Após essa experiência, outros estados, como São Paulo e Minas, adotaram PPPs na área de saúde. "As empresas recebem pela construção, manutenção e operação. E tudo isso sendo auditado", disse.

De acordo com Vanuzzi, o Estado deve adotar as PPPs como saída para a falta de recursos para investir. Atualmente, estão sendo realizados diagnósticos, para posterior elaboração de projetos que visam transferir, à iniciativa privada, serviços como gestão de parques e recuperação das esburacadas rodovias do Rio Grande do Sul.