Política

Kiko Girardi diz que denúncia foi à revelia da Executiva

Pela segunda vez, filiados pediram o impeachment do prefeito sem comunicar a direção da sigla
30 de agosto de 2019 às 08:17
Foto: Mateus Theodoro, Divulgação

O presidente do PSD, em Caxias do Sul, vereador Kiko Girardi, lamentou a forma com que Jefferson Côrtes Torres protocolou o pedido de impeachment contra o prefeito Daniel Guerra. Segundo ele, sem o conhecimento da direção local da sigla. “Nós da Executiva não ficamos sabendo de nada. Fomos pegos de surpresa. Acredito que uma decisão dessas, do ponto de vista político, tem que ser tomada com a participação do diretório. Nós vamos cobrar dele uma explicação sobre os motivos que levaram Jefferson a tomar essa atitude sem nos consultar”, avaliou.

Mesmo assim, o parlamentar diz que as denúncias precisam ser apuradas. “Apesar da forma que ocorreu, isso não muda nada no sentido de o Legislativo apurar as denúncias e submeter a decisão ao plenário. Me sinto muito a vontade para analisar o processo e votar conforme meu entendimento”, afirmou Kiko.

 

REINCIDÊNCIA

 

Esta é a segunda vez que um filiado ao PSD protocola uma denúncia de impeachment contra Daniel Guerra, sem o conhecimento da Executiva municipal. Em setembro de 2017, o ex-vice-prefeito Ricardo Fabris de Abreu, na época, filiado ao partido, também representou contra o chefe do Executivo à mesa diretora da Câmara de Vereadores.

Fabris denunciou o prefeito por cinco atos ilegais, enquadrados em crimes de responsabilidade, improbidade administrativa e infrações político-administrativas. Entre as denúncias, a ação de extinção de mandato do vice-prefeito, impetrada pela Procuradoria-Geral do Município(PGM).

A admissibilidade da representação foi rejeitada pelo plenário, por maioria de votos (16 a 5), no dia 26 de setembro.

Fabris também foi o autor do quinto pedido de impedimento de Daniel Guerra. O documento externo foi arquivado, no dia 12 de fevereiro deste ano. Foram 16 votos contra e seis a favor da admissibilidade do pedido.

 

Jefferson denunciou suposta corrupção no Executivo

No dia 14 de março do ano passado, o ex-subprefeito de Vila Oliva, Jefferson Côrtes Torres foi ao Ministério Público (MP) denunciar um suposto pedido de propina, por parte do então coordenador distrital da Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos – cargo responsável pela gestão das subprefeituras - João Dreher. Os fatos foram relatados ao promotor AdrioGelatti.

Conforme Côrtes, antes dele assumir o cargo de subprefeito, o então coordenador e presidente do ex-PEN (Partido Ecológico Nacional) – hoje Patriota – em Caxias, João Dreher, teria pedido o valor de R$400 para que ele fosse nomeado. O dinheiro seria para ajudar no pagamento das dívidas da sigla, na campanha eleitoral de 2016. Além disso, relatou que Dreher teria pedido apoio político para as eleições do ano passado e que teria cobrado o mesmo valor dos demais subprefeitos.

Jefferson também denunciou ao promotor, uma suposta irregularidade na realização de uma obra em terreno particular, em Vila Oliva, realizada pelo sucessor dele, Avelino Alves. Os fatos teriam sido comunicados ao gabinete do prefeito, porém, nunca foi cumprida a promessa de averiguação das denúncias e punição dos responsáveis. Fato este que culminou com o encaminhamento delas ao Ministério Público.

A reunião com AdrioGelatti foi intermediada pelo vereador Rafael Bueno/PDT. As denúncias foram encaminhadas para a promotoria responsável pelo patrimônio público. Entretanto, 17 meses se passaram e nenhuma conclusão foi comunicada pelo MP.