Cidades

Juíza inspeciona antigo prédio do Lanifício Sehbe

Magistrada defendeu a busca de entendimento para que moradores sigam ocupando o espaço, que a Prefeitura quer retomar
12 de abril de 2019

A juíza Maria Aline Vieira Fonseca, da 2ª Vara Cível Especializada em Fazenda Pública de Caxias do Sul, realizou na tarde desta quinta (11) inspeção ao antigo Lanifício Sehbe, onde funciona o Centro Comunitário e Cultural de Galópolis. A magistrada estava acompanhada da promotora pública Márcia Corso Ruaro. A Justiça decidiu ir ao imóvel após o ingresso de ação de interdito proibitório por parte da União das Associações de Bairros. A entidade tomou a medida porque a Prefeitura exigiu a devolução do prédio. No entanto, o espaço abriga o Centro Comunitário, um brechó para arrecadar fundos para manter animais abandonados, cursos e reuniões de moradores, ações que seriam prejudicadas.

A juíza ouviu moradores que defendem a manutenção das atividades no antigo lanifício, a procuradora-geral do Município, Cássia Andréa Azevedo Kuhn, representante do Poder Público interessado em tomar o prédio, e técnicos da Prefeitura que falaram sobre riscos causados pela precariedade da estrutura, que tem mais de 50 anos e, por muito tempo, ficou abandonada antes de receber melhorias por parte da comunidade. A magistrada e os participantes do encontro percorreram salas, corredores, um teatro, escadas e outros ambientes que por anos foram utilizados e fazem parte da história de Galópolis.

Maria Alice pediu entendimento e colaboração entre a Prefeitura e os moradores para manter o patrimônio e também o trabalho voluntário da comunidade que, segundo ela, desenvolve no local ações que o Município não teria como arcar. A juíza sugeriu que as partes se unam para reformar o andar térreo. Ressaltou que o Corpo de Bombeiros já informou à Justiça sobre perigo de incêndio, devido à fiação antiga, o que poderá gerar interdição. Os moradores argumentam que não há energia elétrica na estrutura, o que reduz risco de fogo. Mas ressaltaram que, caso a Prefeitura lhes tome as chaves, o patrimônio ficará à mercê de invasão de usuários de drogas e vândalos.

Para a magistrada, durante uma reforma e por questão de segurança, a comunidade deveria dar sequência a seus trabalhos em outros locais de Galópolis, retornando ao prédio após a conclusão. Maria Alice pediu à procuradora que o Município apoie os moradores durante esse processo. A convite de moradores de Galópolis, a assessoria do vereador Felipe Gremelmaier/MDB acompanhou a inspeção. O parlamentar manifestou estar à disposição da comunidade.





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