Cidades

Interior sofre com o despejo de esgoto urbano em arroios

Moradores registraram onda de espuma branca sobre a água e milhares de peixes mortos no Arroio Espelho
17 de julho de 2019 às 11:14
Foto: Divulgação

O vereador Alceu Thomé/PTB denunciou, em pronunciamento na Câmara Municipal nesta terça (16), a ocorrência de crime ambiental no Arroio Espelho, que passa pelo Bairro Castelo e comunidades de Santo Homo Bom e São Brás, desembocando no Rio Caí. O petebista relatou que, na semana passada, os moradores presenciaram uma onda de espuma branca sobre a água e milhares de peixes mortos. “Estamos diante de mais um descaso com um dos poucos arroios que ainda tem peixes. Precisamos cobrar dos órgãos fiscalizadores para que elucidem os fatos. Não podemos deixar impunes situações que agridem o meio ambiente e as comunidades locais, que ficam impossibilitadas de fazer uso da água, tampouco deixar que os animais a bebam”, ressaltou. Segundo ele, a população estava fazendo o repovoamento de peixes e o recolhimento de lixo.

O vereador Adiló Didomenico/PTB acrescentou que os moradores das imediações perceberam, há 15 dias, o surgimento de peixe mortos, que costumeiramente nadavam mais na superfície. Os moradores levaram o caso à Secretaria Municipal, mas não obtiveram resposta, menos ainda uma solução.

Na semana passada houve uma mortandade geral. Os moradores estimam não ter sobrado nenhum sinal de vida no arroio, tamanho a quantidade de peixes que boiou. “Há cerca de 20 anos uma empresa despejava efluentes sem nenhum critério. Foi feita um grande pressão e a situação voltou à normalidade. Mas, agora, parece que o problema voltou. O empreendimento é outro, mas o problema é velho. Sabe-se que quando chove forte, a empresa costuma largar produtos tóxicos para aproveitar a vazão da água. Desta vez, a chuva foi pouca, e o problema veio à tona. A fiscalização precisa tomar providências. Num trecho de cinco a seis quilômetros, o rio está morto. Mas a extensão do dano é muito maior”, declarou.

Equipamento que não trata

No final de junho, Adiló Didomenico havia denunciado o despejo de resíduos de esgotos em arroio existente no Loteamento Campos da Serra, que também desemboca no Rio Caí, passando por várias propriedades da localidade de Nossa Senhora das Graças da 8ª Légua. Conforme o vereador, a Estação de Tratamento (ETE), possivelmente foi construída com dimensões para atender somente os primeiros conjuntos de prédios do loteamento. Com a expansão imobiliária, o equipamento não tem mais capacidade para tratar todos os efluentes.

Também denuncia que a ETE não está recebendo manutenção. “Se tornou apenas uma caixa de passagem. O esgoto entra e sai praticamente sem nenhum tratamento. Em 2015, quando era secretário de Obras, levei um biólogo da Secretaria do Meio Ambiente ao local e pedi providências. Ele me respondeu que a ETE daria conta. No entanto, o que se prenunciava lá atrás, confirmou-se agora. Sem que nenhuma explicação fosse dada”, criticou. Para Didomenico, é mais um crime ambiental, sem precedentes, patrocinado pelo poder público, que é responsável pela gestão da ETE.

Sem resposta para o problema

A assessoria de imprensa da Secretaria Municipal do Meio Ambiente informou que técnicos estiveram no Arroio Espelho, em Ana Rech, na sexta (11), e coletaram amostras para análise. O material foi enviada para laboratório. Segundo a assessoria, novas fiscalizações serão feitas no local para averiguar possíveis descartes irregulares. Sobre o loteamento do Campos da Serra, o Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto se comprometeu a fazer limpezas de forma mais frequente, reconhecendo existe sobrecarga na estação. Também disse haver projeto para aumentar a capacidade de tratamento.





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