Economia

Intenção de consumo das famílias cai pela terceira vez

Cautela prevalece na decisão de compra de gaúchos
31 de julho de 2019 às 09:58
Foto: Banco de Dados

Julho registrou a terceira variação negativa consecutiva na Intenção de Consumo das Famílias (ICF) no Rio Grande do Sul, conforme pesquisa divulgada pela Fecomércio-RS nesta terça-feira (30). O índice deste mês foi de 89,4 pontos, recuo de 0,7% em comparação a junho. Na média dos 12 meses, houve aumento do indicador, alcançando 86,8 pontos. Embora esteja em patamar pessimista, quando comparado a julho do ano passado, o ICF apresentou alta de 20,7%, que ocorre em virtude da base de cálculo extremamente deprimida.
Para o presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn, a postura das famílias deve se manter cautelosa enquanto a expectativa de recuperação econômica não se confirmar. “Com um mercado de trabalho enfraquecido e recuperando-se lentamente, a intenção de consumo deve permanecer indicando moderação na decisão de compra dos gaúchos”, comenta.
Apenas dois subindicadores se mantêm acima dos 100 pontos (neutralidade): situação do emprego (116,1 pontos) e da renda (101,2 pontos). Já o consumo atual e a perspectiva de consumo estão próximos dos 100 pontos, porém abaixo; acesso ao crédito, momento para bens duráveis e perspectiva profissional seguem em patamar pessimista. 
O indicador de situação do emprego teve variação negativa de 0,5% frente ao mês anterior, registrando 116,1 pontos. Em comparação a julho de 2018, foi verificada alta de 11,7%. Sobre a situação da renda atual, houve aumento de 17,9% em relação a julho de 2018, enquanto na margem foi registrada redução de 0,7%. Os resultados por faixa mostram que a variação negativa da margem foi puxada pelo resultado das famílias com renda superior a 10 salários mínimos, redução de 135,5 para 130,6 pontos. Entre as famílias com renda inferior a 10 salários mínimos, o indicador manteve-se praticamente estável, com 94,2 pontos.
O nível de consumo atual registrou 96,9 pontos, redução de 3,2% com relação a junho de 2019. Desta forma, o indicador retorna ao nível pessimista após nove meses acima dos 100 pontos. Em relação a julho de 2018, o aumento foi a 31,1%. Neste subindicador, a observação por faixa de renda mostra recuo em ambos os rendimentos: de 90,7 para 88,6 entre as famílias com renda inferior a 10 salários mínimos; e de 139,1 para 131,5 pontos acima desta faixa salarial.
O indicador que avalia a percepção em relação ao acesso ao crédito, por sua vez, avançou 3% na margem. Contudo, mesmo estando acima do patamar do mesmo período do ano anterior, o indicador registra 71,7 pontos, permanecendo distante da neutralidade e indicando a persistência da percepção de uma maior dificuldade na contratação de crédito pelas famílias.
Com relação ao consumo de bens duráveis, o indicador registrou 60,4 pontos, recuando 4,5% ante junho; em relação ao mesmo período do ano passado, houve alta de 11,4%. O indicador, que se mantém em patamar pessimista desde janeiro de 2015, aponta que as famílias, diante de uma percepção de acesso ao crédito dificultado, e com menor certeza em relação à renda futura, não sentem o momento como favorável para se comprometer com a compra desses bens.
O indicador de perspectiva profissional registrou 82 pontos, avanço de 14,7% com relação a julho de 2018 e de 3,4% em comparação a junho deste ano. Já a perspectiva de consumo registrou 97,2 pontos, recuando 2% na passagem mensal, indicando famílias mais cautelosas em relação à expectativa futura de consumo.