Economia

Industrial gaúcho reforça expectativa positiva

Principais preocupações do terceiro trimestre foram alta carga tributária e baixa demanda interna
28 de outubro de 2019 às 17:17

Estudo da FIERGS aponta que industrial tem intenção de elevar compras de matérias-primas (Crédito: Andreia Dalla Colletta, Divulgação)

Com reduções sazonais da produção, para 48 pontos, e do emprego, para 49,3, e pequeno acúmulo de estoque, de 51 pontos, mas menor ociosidade, a Sondagem Industrial do Rio Grande do Sul de setembro indica desempenho melhor do que nos últimos anos. O resultado foi divulgado nessa segunda-feira (28) pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS). Segundo o presidente da entidade, Gilberto Petry, a elevada carga tributária e a demanda interna insuficiente são os maiores problemas enfrentados pelo setor, mas a expectativa para os próximos seis meses seguem positivas, com os empresários gaúchos projetando crescimento da demanda e maior disposição para investirem.

Ao ficarem abaixo dos 50 pontos, os índices de produção e de emprego indicam queda ante o mês anterior, típica do período por conta do menor número de dias úteis, mas menos intensa do que o normal. A ociosidade diminuiu um pouco, apesar de continuar alta, aponta o indicador de Utilização da Capacidade Instalada (UCI), que ficou em 44,3 pontos. A UCI fica no nível usual do mês quando o índice atinge 50 pontos. O grau médio chegou, em setembro, ao patamar de 71%, o mesmo de agosto e o maior para o mês desde 2014, que foi de 72%.

Os estoques de produtos finais permaneceram em nível elevado em setembro, com acúmulo pequeno, já que o índice em relação ao planejado permaneceu em 51 pontos, pouco acima dos 50. Isso significa que o ajuste nesse item continua, mas ainda não se completou. Nesse caso, ao contrário dos demais indicadores da Sondagem Industrial, valores acima de 50 pontos expressam resultado negativo, pois significa que os estoques estão acima do planejado pelas empresas.

OS TRÊS PRINCIPAIS ENTRAVES

Principal entrave enfrentado pela indústria gaúcha no terceiro trimestre, segundo a Sondagem Industrial, a carga tributária ganhou peso. Passou de 41,6% no segundo trimestre para 47,4% das respostas dos empresários consultados. Já a demanda interna perdeu importância relativa, de 50% para 45,9%, e foi o segundo maior obstáculo. Destaque também para a taxa de câmbio, o terceiro maior problema do setor, apontado em 19,6% das respostas, uma alta de sete pontos relativamente ao segundo trimestre, quando foi o nono mais assinalado.

Em relação às empresas, o índice de satisfação cresceu na pesquisa de 43,9 pontos no segundo trimestre, para 48,5 no terceiro, mas permaneceu no terreno negativo, abaixo dos 50 pontos. O mesmo ocorreu com a margem de lucro, que pulou de 37,5 para 41,9 pontos. As condições de acesso ao crédito ficaram menos adversas, de 39 para 43,1 pontos, com o índice atingindo o maior valor desde o quarto trimestre de 2013.

As expectativas de demanda e de exportações para os próximos seis meses tiveram queda na pesquisa, realizada entre 1º e 11 de outubro, mas seguem altas, atingindo, respectivamente, 54,8 e 51,3 pontos – em setembro, representaram 55,6 e 51,9 pontos. Isso expõe a intenção da indústria gaúcha de aumentar as compras de matérias-primas, 53,8 pontos, mas não o emprego, 49,9, que deve seguir estável.

Os empresários gaúchos também se mostram mais dispostos a investir nos próximos seis meses. O índice cresceu 2,8 pontos ante setembro, atingindo 52,5 em outubro. Esse é o maior nível dos últimos seis meses e bem acima de média histórica de 48,9 pontos.





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