Economia

Industrial gaúcho reduz investimentos para o ano

Com base no desempenho de abril, empresariado reduziu níveis de confiança com a situação econômica
28 de maio de 2019 às 12:57

A indústria gaúcha começa o segundo trimestre do ano projetando menos empregos e investimentos, aponta a Sondagem Industrial de abril, divulgada pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS), nesta segunda-feira (27). Alguns fatores colaboram para isso, segundo a pesquisa, a começar pelo recuo na produção. Ao alcançar 49,3 pontos, ficou bem abaixo dos 52,2 de março, mas acima da média histórica de 48,8 para o período. O mesmo ocorreu com o emprego, que caiu de 50,7 pontos no mês anterior para 48,4 (a média histórica é de 48).

Porém, com ambos abaixo dos 50 pontos, sinalizam queda, embora sejam normais para o período em função do menor número de dias úteis em abril na comparação com março. "Com o quadro adverso para o setor, com um desempenho aquém na economia do país em 2019, os industriais gaúchos estão cada vez mais cautelosos", avalia o presidente da entidade, Gilberto Porcello Petry. Para efeitos de comparação, em abril de 2018, a produção e o emprego industrial estavam, respectivamente, em 51,3 e 50,9 pontos. 
Outros indicadores mostraram um cenário ainda mais desfavorável em abril. A utilização da capacidade instalada, em 69%, repetiu o patamar de fevereiro e março, ficando pouco aquém da média histórica de abril, de 69,9%. Mas permaneceu distante do nível normal: o índice em relação à usual, que segue o critério de pontos, recuou de 45,2 para 43,1, em abril. Abaixo de 50, o índice revela uso da capacidade inferior ao comum para o mês. 
Mesmo com menor produção em abril, a indústria gaúcha não conseguiu ajustar todo excedente de estoques acumulados no mês anterior. O indicador em relação ao planejado ficou em 52,3 pontos, 2,2 abaixo de março, mas ainda assim acima dos 50, que expressam estoques no nível planejado pelas empresas. 
 

Projeção de demissões para os próximos meses


Com este resultado insatisfatório, os industriais ficaram menos otimistas e já começam a prever demissões nos próximos seis meses. Houve reduções em todos indicadores de expectativas entre abril e maio: demanda (de 60,1 para 55,9 pontos), exportações (de 58,9 para 54,6) e compras de matérias-primas (de 57,1 para 54,1). O indicador de emprego (de 52,5 para 49) foi o único abaixo dos 50 pontos, que separam crescimento (quando acima), de queda (quando abaixo). 
A intenção de investir também sofreu ajuste expressivo na comparação entre os dois últimos meses: o índice caiu de 54,8 para 48,6 pontos. Em maio, apenas 49,7% das empresas revelaram intenção de investir nos próximos seis meses. No mês anterior eram 58,2%.  A pesquisa foi realizada com 186 empresas: 83 grandes, 61 médias e 42 pequenas, no período de 2 a 13 de maio.