Economia

Indústria gaúcha tem segundo mês seguido de crescimento

Resultado, no entanto, não alterou quadro de estabilização observado na atividade
09 de julho de 2019 às 09:26

Após queda de 3,1%, em março, e crescimento de 2,3%, em abril, o Índice de Desempenho Industrial (IDI-RS) voltou a subir em maio, 1,5%, com ajuste sazonal, na comparação com o mês anterior, revela pesquisa divulgada pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS), nesta segunda-feira (8). A última vez que a atividade da indústria de transformação gaúcha cresceu por dois meses seguidos foi no último bimestre de 2017.

Mesmo assim, o presidente da FIERGS, Gilberto Porcello Petry, alerta que os resultados positivos não alteram o quadro de estabilização observado atualmente. "Além da volatilidade, grande parte dos números de maio, sobretudo as comparações anuais, está inflada pela paralisação dos caminhoneiros em 2018. Com a demanda interna e externa insuficientes, diante dessa conjuntura a indústria gaúcha tende a retomar lentamente o ciclo de recuperação perdido no segundo semestre do ano passado", explica Petry. 
Segundo análise da FIERGS, os juros e a inflação baixos podem abrir espaço para alguma reação no segundo semestre, mas em ritmo lento por causa do desemprego elevado, da crise fiscal, da incerteza política e da crise argentina. Diante desse cenário, a evolução atual da indústria gaúcha deve continuar, nos próximos meses, estabilizada, mas em nível suficiente para sustentar o crescimento no ano. No médio e longo prazo, no entanto, uma elevação sustentada só se dará com a aprovação de reformas para que os investimentos retornem e a recuperação do setor ganhe força. 
Relativamente ao mesmo mês de 2018, a atividade industrial gaúcha registrou a maior alta desde março de 2010: 13% em maio. Além da baixa base de comparação, pelo efeito da crise dos caminhoneiros, maio de 2019 ainda teve um dia útil a mais do que o de 2018. Com isso, o IDI-RS acelerou o crescimento no acumulado do ano de 1,9% até abril para 4% até maio, a maior taxa do ano. 
Na comparação anual acumulada de janeiro a maio, somente a massa salarial caiu, 1,9%, entre os seis componentes do IDI-RS em relação ao ano passado. As maiores altas foram observadas no faturamento real, 10,9%, e nas compras industriais, 8,5%. Os demais indicadores também exerceram influência positiva: a UCI (1,7 ponto percentual), as horas trabalhadas na produção (0,9%) e o emprego (0,5%). 
Por setor, entre os 17 pesquisados pela FIERGS, 11 registraram aumento na atividade no período nos cinco primeiros meses, três a mais do que em abril. Mas apenas três cresceram acima da média geral: veículos automotores, 19,8%; tabaco, 17,4%; e madeira, 16,3%. Já os principais impactos negativos vieram de alimentos, 1%; têxteis, 5,8%; e vestuário, 8,3%.

 

MERCADO

Projeção de PIB cai para 0,82%

 

A estimativa do mercado financeiro para o crescimento da economia este ano continua em queda. Segundo o boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central feita junto a instituições financeiras, a projeção para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) foi reduzida de 0,85% para 0,82%, a 19ª queda seguida. Para 2020, a expectativa é que a economia tenha crescimento maior, de 2,20%, a mesma da semana passada. A previsão para 2021 e 2022 permanece em 2,50%.

A estimativa de inflação, calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, se manteve em 3,80% este ano. Para 2020, a expectativa é de 3,91% e para os anos seguintes segue em 3,75%. A taxa Selic, na visão do mercado, será de 5,50% no final do ano. Para 2020, 6% e, nos dois anos seguintes, 7,5%.