Economia

Indústria gaúcha revela cenário menos adverso

Pesquisa mostra que índice de produção subiu para 45,1 pontos
29 de junho de 2020 às 15:30

Mais de 60% dos empresários ouvidos manifestaram não ter intenção de fazer investimentos neste ano (Foto Gilmar Gomes, Divulgação/Banco de Dados)

Os índices de atividade da indústria gaúcha cresceram em maio na comparação com abril, quando atingiram seus pisos históricos. Mas como continuaram abaixo da linha dos 50 pontos, que varia de zero a 100, ainda mostram um quadro desfavorável para o setor, revela a Sondagem Industrial, divulgada nessa segunda-feira (29) pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS). A evolução das expectativas para os próximos meses também permanece negativa, com empresários pouco dispostos a investir. “A indústria continuará sentindo os efeitos da grande queda na sua produção. O momento é de cautela e receio, agravado pela insegurança que traz o constante abre e fecha provocado na indústria e no comércio pelos decretos do governo do Estado e prefeituras”, afirma o presidente da FIERGS, Gilberto Porcello Petry.

O índice de produção industrial subiu para 45,1 pontos em maio, apontando queda menos intensa do que a contração recorde observada em abril de 24,1 pontos. Foi a terceira retração seguida. O emprego registrou o mesmo comportamento: passou de 34 para 40,2 pontos entre abril e maio, porém, como permaneceu abaixo dos 50 pontos, mostra somente um recuo menor na comparação entre os dois meses.

A evolução da utilização da capacidade instalada (UCI) não foi diferente: aumentou dos 49% de abril para 56% em maio, ficando 12,3 pontos percentuais abaixo da média histórica do mês. O índice de UCI em relação à usual cresceu de 22 para 27,9 pontos. Nesse caso, valores inferiores a 50 indicam que os empresários consideraram a UCI abaixo do usual para o mês e quanto menor, mais distante do usual.

Para fazer frente à paralisação dos negócios devido à pandemia, em maio as empresas eliminaram o excedente de estoques de produtos finais. O índice em relação ao planejado caiu de 52,6 em abril para 48,1 pontos em maio. Nesse caso, valores acima de 50 significam estoques além do desejado pelas empresas e, abaixo, aquém.

EXPECTATIVAS PARA OS PRÓXIMOS MESES

Os índices que medem as expectativas para os próximos seis meses cresceram pelo segundo mês consecutivo na Sondagem Industrial. Mas como permaneceram abaixo dos 50 pontos, mostraram que os empresários esperam a redução da demanda (de 32,3, em maio, para 46,7 pontos, em junho), das exportações (de 32 para 41,7), do emprego (de 34,6 para 43,3) e das compras de matérias-primas (de 30,4 para 43,6).

Mesmo com o leve alívio no cenário em junho, os empresários ainda se mostram pouco dispostos a investir nos próximos seis meses. O índice aumentou 6,3 pontos na comparação com maio, para 37,6, mas ainda são 11,2 pontos inferiores à média histórica. Apesar desse crescimento, apenas 37,3% das empresas consultadas estão propensas a realizar investimentos.