Economia

Indústria gaúcha lidera habilitações no Rota 2030

Empresas automotivas do Rio Grande do Sul representam 40% dos registros junto ao programa federal; oito são da região da Serra
14 de junho de 2019 às 11:57
Foto: Camilo Siqueira/ Divulgação

A indústria automotiva instalada no Rio Grande do Sul por mais de 40% das habilitações encaminhadas por empresas para obtenção de benefícios que serão gerados pelo Programa Rota 2030. Das 36 marcas habilitadas junto ao Ministério da Economia, 15 são gaúchas e, destas, oito estão na Região da Serra, a maioria em Caxias do Sul. Os números foram divulgados nesta quinta (13) durante seminário organizado pelo Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico para esclarecer dúvidas e apontar oportunidades decorrentes do programa, em vigor desde dezembro de 2018, e que ainda tem pontos em processo de regulamentação.

Já a Universidade de Caxias do Sul é a primeira e, até agora, única instituição gaúcha com atuação na área de pesquisa e desenvolvimento automotiva a estar inscrita para participar dos programas prioritários definidos no âmbito do Rota 2030. De acordo com Ricardo Zomer, coordenador do programa Rota 2030, no momento está sendo feita a seleção das instituições que serão incluídas para atuar, nacionalmente, junto aos projetos das empresas.   

Sócio-diretor da Pieracciani Consultoria, Francisco Tripodi expôs os resultados de uma pesquisa feita com 150 empresas, dentre montadoras, sistemistas e fabricantes de autopeças. O trabalho identificou que das respondentes 86% ainda não se habilitaram ao programa. Tripodi também assinalou que, mesmo com os contingenciamentos de valores pelo governo federal, nunca houve tanto recurso disponível, como agora, para uso na inovação. “São inúmeras as fontes para financiar os projetos”, garantiu.

Dentre as oportunidades de negócios, o representante do Ministério da Economia citou mercado de peças hoje importadas por não haver produção local. Com o programa, o governo manteve a alíquota de 2% de importação, mas direcionou os recursos obtidos para o desenvolvimento de novos fornecedores. O valor já disponível está estimado em R$ 70 milhões.

Outra área potencial é a de modelos híbridos e elétricos, pois o programa tem, dentre suas marcas, a melhoria da eficiência energética e a segurança veicular. Thiago Sugahara, gerente de Relações Institucionais e Governamentais da Toyota do Brasil, confirmou que o primeiro automóvel elétrico flex do mundo será produzido na fábrica localizada em Indaiatuba (SP) e lançado no último trimestre do ano. Citou números que comprovam o crescimento de emplacamentos destes veículos, o que oportuniza desenvolvimento de conteúdos locais. Em relação a 2017, no ano passado, as vendas de híbridos cresceram 18%, para 3.794 unidades, e de elétricos, 33%, para 183 veículos. Nos primeiros quatro meses deste ano já foram emplacados 1.197 híbridos e 46 elétricos.

O Rota 2030 é um programa de incentivos para estimular a inovação na cadeia automotiva. Substituto do Inovar-Auto, ele possibilita o abatimento dos valores investidos em pesquisa, desenvolvimento e inovação do pagamento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. A redução pode variar de 10,2% a 12,5%.

 

Empresas habilitadas

 

Caxias do Sul

Agrale, Fras-le, Marcopolo, Metalmatrix, Setbus e Valeo

 

São Marcos

Borghetti Turbos e Sistemas Automotivos e Nelson Metalúrgica

 

Grande Porto Alegre

Dana, Delphi, General Motors, Gestamp, KLL, Prometeon e Viemar