Economia

Indústria gaúcha começa último trimestre em baixa

No acumulado de 10 meses, atividade teve alta de apenas 0,8%
12 de dezembro de 2019 às 17:52

Vestuário é o setor que tem o pior resultado no ano, até outubro (Foto Divulgação)

Após meses de estagnação, a esperada reação da atividade industrial no estado ainda não se consolidou e a indústria gaúcha começou o último trimestre de 2019 em ritmo fraco. É o que demonstra o Índice de Desempenho Industrial (IDI-RS), divulgado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS), na quinta-feira (12/12), ao recuar 1,1% em outubro ante setembro, já com ajuste sazonal.

O desempenho negativo fica mais evidente pela média móvel trimestral: queda de 0,3% pelo quarto mês seguido, o que não ocorria desde julho de 2016. "A demanda doméstica ainda se mostra fraca para muitos segmentos da indústria, e as vendas para o mercado externo não avançam por conta da desaceleração da economia mundial e, sobretudo, em decorrência da crise na Argentina. Esses fatores ajudam a explicar o resultado recente abaixo do esperado", afirma o presidente da FIERGS, Gilberto Porcello Petry.

Dos seis indicadores utilizados para o cálculo do IDI-RS, três caíram: faturamento real, 2,6%; massa salarial real, 0,5%; e utilização da capacidade instalada (UCI), 0,4 ponto percentual, com grau médio de 81,9% no mês. Apenas as compras industriais de insumos e matérias-primas cresceram, na ordem de 3,4%, enquanto horas trabalhadas na produção e emprego permaneceram estáveis. "Ainda assim, a expectativa de recuperação da economia continua, devendo retornar lenta e gradualmente em resposta ao aumento da demanda doméstica, que deve se beneficiar dos juros e da inflação menores. Esse quadro mais positivo deve se somar à melhora na geração de emprego e da confiança empresarial", confia Petry.

Na comparação com outubro de 2018, nem mesmo o fato de 2019 ter um dia útil a mais ajudou, pois o IDI-RS registrou a quarta queda consecutiva nos últimos cinco meses nessa base de comparação: 2%. Com isso, o avanço do indicador no acumulado do ano caiu de 2,6%, em junho, para 0,8%, em outubro. Altas são registradas no faturamento real, de 4,1%, e na UCI, de 1,2 ponto percentual. Caíram as compras industriais, 1,2%, e a massa salarial real, 0,6%, enquanto as horas trabalhadas na produção e o emprego ficaram praticamente estáveis.

Dentre os setores pesquisados, veículos automotores, com elevação de 10,8%, foi o que mais sustentou o avanço, juntamente com equipamentos de informática e eletrônicos, 6,8%, e couros e calçados, 4,3%. As principais baixas foram registradas por vestuário e acessórios, 7,8%; metalurgia, 7,1%; têxteis, 6,3%; e máquinas e equipamentos, 4,2%. Comportamento estável para tabaco e químicos e derivados de petróleo, +0,5%; alimentos, e borracha e plásticos, +0,2%; aparelhos elétricos, 0%; e móveis, 0,4%.