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Incidência da tuberculose cresceu 35% nos últimos cinco anos

Muitos pensam que a tuberculose, uma doença infectocontagiosa, não existe mais. No entanto, ela está mais presente do que se imagina, progride silenciosamente e pode ser fatal.
25 de março de 2019

Muitos pensam que a tuberculose, uma doença infectocontagiosa, não existe mais. No entanto, ela está mais presente do que se imagina, progride silenciosamente e pode ser fatal. Em Caxias do Sul, segundo a médica infectologista da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), Bruna Kochhann Menezes, dados referentes aos últimos cinco anos revelam que a cidade registrou aumento de 35% dos casos de tuberculose.

A incidência anual saltou de 148 para 201 pessoas infectadas. Dentro deste contexto, em 2018, 12% das pessoas que registraram a doença faleceram. “Sua transmissão é pelo ar. Quando uma pessoa infectada tosse, elimina gotículas que contêm o bacilo de Koch, disseminando a bactéria instalada nos pulmões. O fato de Caxias estar situada em uma região úmida e fria contribui para uma predisposição do vírus se manter por mais tempo no ar. Por isso, a importância de manter ambientes arejados, principalmente, os de grande circulação de pessoas, e os de trabalho”, orientou.

Conforme a médica, a tuberculose se manifesta por meio de tosse com ou sem catarro, febre baixa, sudorese à noite, falta de apetite e perda de peso. “As pessoas têm certa dificuldade de diferenciar o que é um leve problema respiratório de quadros mais graves. Acabam achando que é apenas uma virose. É importante estar atento, pois, persistindo esses sintomas por mais de três semanas, é necessário buscar recurso médico. As chances de ser tuberculose são muito grandes”, alertou.

De acordo com Bruna, após a contaminação, não há um prazo para que a doença se manifeste, podendo ficar incubada por longos períodos. Tudo depende do sistema imunológico de cada indivíduo. No entanto, em algum momento, ela poderá se manifestar. Mas a transmissão só será possível quando a doença estiver ativa. Mesmo aqueles que já desenvolveram a doença, estão propensos a contraí-la novamente. “Pessoas que tiveram ou que mantêm contato com quem já contraiu a doença precisam fazer exames. Temos medicação que previne o desenvolvimento da doença nestes casos. Quando bebês, todos recebem a vacina BCG, que previne durante a infância. Depois disso, a forma mais eficaz de prevenção é estar atento aos sintomas”, salientou.

 

Abandono do tratamento chega a 20%

 

Todas as Unidades Básicas de Saúde estão aptas para realizar os primeiros testes. Havendo diagnóstico de algo mais grave, é solicitada a realização de exames específicos e o tratamento é iniciado imediatamente. “Não se pode tardar na busca por recursos. Havendo dúvida, ou se encaixando nas situações de risco, é necessário buscar o auxílio de um especialista”, reforça Bruna Kochhann Menezes.

Também é fundamental que o paciente finalize o tratamento oferecido gratuitamente. Segundo Bruna, são necessários, no mínimo, seis meses. Descumprindo o que o médico determina, ao invés de liquidar a bactéria, a medicação irá gerar resistência do agente causador da doença.

Entre as pessoas atendidas pela rede municipal de saúde, o índice de desistência gira em torno de 20%, enquanto que o ideal seria 5%. “A tuberculose é 100% curável, mas em hipótese alguma o tratamento deve ser interrompido. Assim que ele se inicia, gradativamente, os sintomas são amenizados, logo desaparecendo. Mas não elimina por completo a bactéria. Por algum motivo, mesmo com as nossas orientações, parte dos pacientes suspende o uso da medicação. Fato que traz danos significativos ao combate da doença e, por consequência, agrava o caso”, ressaltou.

Embora todos estejam suscetíveis a desenvolver a tuberculose, idosos, crianças, pessoas com neoplasias ou que façam uso de alguma medicação que retira a imunidade do corpo possuem maior risco. “A doença sempre esteve mais presente nas chamadas população de risco, como usuários de drogas, moradores de rua e pessoas com HIV. Por isso, a tuberculose ficou estigmatizada e poucos gostam de falar sobre ela. É um tabu a ser quebrado”.

 

RS tem casos acima da média nacional

 

A situação da doença no Brasil e no Rio Grande do Sul é desfavorável, com altas taxas de abandono de tratamento e baixa incidência de cura. Em 2018, o Boletim do Programa Nacional de Controle da Tuberculose apontou o estado em 5º lugar em taxas de incidência em todo o país. Neste milênio, as taxas têm se mantido entre 40 e 45 casos por 100 mil habitantes, números acima dos nacionais, que giram em torno de 32 a 33 casos.

O estado também tem a maior taxa de coinfecção tuberculose/HIV. De todos os pacientes diagnosticados com tuberculose, 18% estão associados ao HIV. Hoje, a maior causa de morte de pacientes HIV positivos por doenças infecciosas é em decorrência da tuberculose. “São 5 mil casos novos por ano no estado”, alertou a médica pneumologista Carla Jarczewski, coordenadora do Programa Estadual de Controle da Tuberculose. Os números de 2018 estão teoricamente fechados, com 7.017 casos totais e 5.106 novos.

Para baixar as taxas de incidência, é necessário um índice de cura em casos novos de 85% e abandono de, no máximo, 5%. Em 2017, o estado apresentou 61,3% de cura e a taxa de abandono ficou em 12,2%. “Significa que existem mais pessoas doentes contaminando outras dentro de uma área geográfica”, adverte Carla. O Dia Mundial de Combate à Tuberculose é celebrado sempre em 24 de março.