Cidades

Hospedagem Solidária atenderá 100 pessoas em situação de rua por dia

A partir desta quarta até 15 de setembro, estrutura montada na Paróquia Sagrada Família garantirá refeições e local para dormir
30 de abril de 2019 às 12:10
Foto: BD

Tem início nesta quarta (1), estendendo-se até 15 de setembro, a segunda edição do projeto Hospedagem Solidária, iniciativa da Pastoral das Pessoas em Situação de Rua. O público alvo é o masculino, de todas as faixas etárias. O acolhimento se dará no salão paroquial do Bairro Sagrada Família, de Caxias do Sul, diariamente.

Os participantes do projeto também contarão com o espaço da igreja para momentos de espiritualidade. “Estamos preparados para atender até 100 pessoas por dia. Por volta das 18h30, eles começam a ser recepcionados, recebem agasalho e chinelo fechado. Instalamos 10 chuveiros para que eles possam tomar um banho. Depois é feito um momento de reflexão, seguido de jantar. O horário de recolher está previsto para 22h. Pela manhã, por volta das 7h, eles recebem o café da manhã e retornam para a rua”, explicou o pároco, padre Elton Marcelo Bussolotto Aristides.

Para fazer uso do serviço, basta comparecer ao local. Na chegada, a Guarda Municipal fará uma abordagem. No entanto, segundo Aristides, os participantes já sabem que não podem entrar com drogas e armas, nem sob influência de qualquer substância química. À noite, dois monitores especializados farão a segurança do ambiente. Os que chegarem alterados serão encaminhados para os serviços aptos a lidar com essas situações. “Pela experiência do ano passado, percebemos que todos que participam valorizam o que lhes é proporcionado, participando de todo o período, com algumas poucas quebras”, salientou.

De acordo com Aristides, Caxias tem quase 900 moradores de rua. A maioria atribuí a condição à dificuldade de arrumar emprego. Os fluxos migratórios também contribuem. Quando as perspectivas não se tornam realidade, aumenta o número de pessoas em situação de vulnerabilidade. “Sem dinheiro, aumenta a baixa estima, deixando as pessoas fragilizadas, mais propensas a se envolverem com coisas que cada vez mais lhes afastam da possibilidade de dar a volta por cima”, frisou.

Voluntários fazem a diferença

Mais do que ofertar cama, mesa e banho, o projeto tenta mostrar possibilidades e caminhos para que as hoje pessoas em situação de rua possam ter uma vida digna. Um gesto simples, mas que faz muita diferença a quem está acostumado a ser tratado seguidamente como um ser invisível, é a entrega de um crachá com nome e sobrenome para os que informam. “É uma maneira de elas sentirem o resgate da sua humanidade, da sua personalidade, da identidade. No período em que estivermos mais próximos faremos um trabalho de resgate, procurando auxiliar que busquem uma vida melhor. Mas muitos querem continuar na rua”, lamentou.

Para esta edição, o projeto contará com um grupo de médicos voluntários, que prestará atendimento semanal. Também haverá celebrações em datas especiais, além de duas coletivas para marcar os aniversários. Voluntários que uma vez por semana distribuem sopa e lanches a moradores de rua se encarregaram de fazer a divulgação da ação.

Números da primeira edição

De 1 de junho a 11 de setembro

350 pessoas acolhidas (com repetições)

3.719 pernoites

1.255 banhos

7.438 refeições

375 voluntários





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