Educação

Governo propõe ao magistério parcelar desconto dos dias parados

Direção do CPERS convocou assembleia geral, mas antecipa que proposta contraria posição já expressada pela categoria
08 de janeiro de 2020 às 18:55

Representantes do governo e do CPERS tiveram segundo dia seguido de reunião (Foto Itamar Aguiar, Piratini, Divulgação/Folha de Caxias)

Em reunião na sede da Secretaria da Educação (Seduc), na quarta-feira (8/1), o governo apresentou a representantes do CPERS-Sindicato proposta para que o magistério recupere as aulas perdidas pela paralisação e finalize a greve iniciada pela categoria em novembro. O governo oferece o pagamento em folha suplementar aos professores que não receberam salário em janeiro e, com o fim da greve, evitar que fiquem mais um mês sem receber qualquer remuneração.

A proposta do governo é pagar o salário da categoria relativo aos dias paralisados de forma integral em folha suplementar a ser rodada em até cinco dias úteis a partir da adesão da categoria ao acordo. O desconto proporcional pelos dias paralisados seria feito de forma parcelada ao longo de seis meses. Quando forem retomadas as aulas para a recuperação dos 25 dias de aulas perdidos em 2019, o Estado propõe uma nova rodada de negociação para discutir o desconto.

Conforme o secretário da Educação, Faisal Karam, o Estado está propondo uma trégua no impasse. “Ambos os lados concordam em priorizar os alunos. Por isso, a urgência está em recuperar as aulas perdidas e finalizar o ano letivo 2019”, disse.

Os dirigentes do CPERS fizeram questionamentos à proposta e responderam que irão levá-la para avaliação da categoria em assembleia geral para, então, dar a posição oficial. No entanto, em nota publicada no site da entidade, o comando de greve definiu a proposta como “flagrante ataque ao direito de greve”. Afirma que a proposta não condiz com o pleito da categoria expresso no dia 20 de dezembro e convocou assembleia geral para terça-feira (14), às 13h30, no pátio do Colégio Candido José de Godoi. “Até lá, a greve continua”, antecipa.

Também manifesta opinião de que o governo ganha tempo sem solucionar o impasse e articula a votação do pacote para o final de janeiro. “É preciso compreender este movimento do governo para fragilizar o sindicato e a resistência, que se mostrou inquebrantável no último período”, assinala a nota. O comando também antecipa que independentemente da situação da greve e da recuperação das aulas, o magistério acompanhará em peso, em Porto Alegre, a votação dos projetos.