Cidades

Galópolis terá museu a céu aberto

Projeto pioneiro no Rio Grande do Sul é uma iniciativa do Instituto Hércules Galló
17 de agosto de 2019 às 09:56
Foto: Divulgação

Será inaugurado neste sábado (17) o Museu de Território: O Caminho da História, na localidade de Galópolis. Com apoio da Lei de Incentivo à Cultura da Prefeitura de Caxias do Sul, patrocínio da FSG – Centro Universitário da Serra Gaúcha e iniciativa do Instituto Hércules Galló, o projeto é o primeiro no Rio Grande do Sul com essa concepção.

Com a curadoria da pesquisadora e museóloga Tânia Maria Zardo Tonet e fruto de um extenso trabalho de pesquisa e resgate de fotos e informações históricas, o Museu de Território é um museu a céu aberto que se compõe de 15 pontos do patrimônio cultural material e imaterial existentes em Galópolis. O projeto foi discutido com a comunidade em reuniões realizadas na Sala Multiuso do Instituto Hércules Galló. Os locais elencados são capazes de contextualizar a história da vila, em seus aspectos econômico, social, político e cultural.

Alicerçado no legado do italiano Hércules Galló, pioneiro da indústria têxtil na Serra Gaúcha, o projeto iniciou com a musealização das duas casas, onde o empreendedor e sua família viveram, inauguradas em 2015 e que compõem o marco inicial. Agora, serão entregues à comunidade os outros 14 pontos que integram o núcleo do museu a céu aberto. Os locais foram demarcados com totens explicativos que mapeiam o território, oportunizando a manutenção da história viva para ser contata por e para todos que ali moram e visitam.

A intenção da museóloga Tânia Tonet ao conceber o projeto foi trazer uma forma diferente e envolvente de transmitir esse resgate histórico, onde o foco não são objetos históricos e sim o território em si e toda a sua riqueza cultural. O conceito de museu de território, ainda pouco explorado na museologia no Brasil, tem como essência musealizar o território e territorializar o museu. A proposta é adepta à Nova Museologia que, diferentemente do conceito tradicional centrado num edifício, nas coleções e num público-alvo, amplia seu olhar para todo o patrimônio material e imaterial regional, passível de preservação e, acima de tudo, propõe um diálogo com a comunidade em que está inserido, numa lógica de inclusão e partilha.

Razões para o projeto

Galópolis constitui-se num cenário autêntico, um caso raro de uma comunidade inteira passível de preservação. Além disso, possui características curiosas, como o fato da implantação de um núcleo nitidamente urbano em um ambiente rural. Isto se deve ao processo de industrialização iniciado em 1894, quando jovens tecelões vindos da Itália fundaram o primeiro lanifício, nos moldes de uma cooperativa, após perceberem que a área não era propícia à agricultura e que os dois rios do lugar possibilitariam a movimentação de máquinas e a geração de energia elétrica, além dos serviços de lavagem e tinturaria.

Em 1903, Hércules Galló juntou-se ao grupo de empreendedores, assumindo o comando do lanifício e liderando ações que garantiriam à vila um significativo progresso, cujo ícone é a construção de uma vila operária, com casas, construídas lado a lado, que eram alugadas por valores simbólicos, garantindo a manutenção e atração de mão-de-obra. A partir daí e, mesmo após a morte de Galló, a vida da comunidade gravitou em torno do lanifício. Em homenagem a Galló, o povoado passou a denominar-se Galópolis, em 1914.





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