Economia

Famílias reduzem, mais uma vez, a intenção de consumo

Cautela deve-se ao fraco desempenho econômico e lenta recuperação do mercado de trabalho
28 de junho de 2019 às 12:17

A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) apresentou a segunda queda consecutiva em junho na comparação com o mês imediatamente anterior, conforme pesquisa da Fecomércio-RS, divulgado nesta quinta-feira (27). O ICF alcançou 90 pontos, queda de 1,6% frente ao mês anterior. Em comparação ao mesmo período de 2018, o resultado apresentou alta de 20,5%. A comparação positiva com relação ao ano passado se dá pelo fato de ser uma base extremamente deprimida, momento em que o índice registrava 71 pontos. O consumo atual, mais uma vez, foi o indicador com maior recuo, na ordem de 4,8%, enquanto o índice sobre o emprego atual, de 116,7 pontos, é o único que se mantém otimista, longe do patamar neutro. O acesso ao crédito, a compra de bens duráveis e a perspectiva profissional permanecem no plano pessimista. Com geração líquida de 36.143 mil postos de trabalho, o indicador da situação de emprego permaneceu estável, mas em relação ao mesmo período de 2018 foi verificada alta de 10,8%. Este cenário indica que há recuperação, ainda que lenta. A média do índice em 12 meses aumentou para 109,4 pontos na passagem de maio para junho. A avaliação da renda atual alcançou 101,9 pontos, alta de 22% em relação a junho, enquanto na margem a redução foi de 2,2%. “Os indicadores de inflação de março e abril afetaram a percepção da renda familiar, que sentiram o aumento na alimentação e no transporte”, argumenta o presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn. O indicador referente à facilidade de acesso ao crédito atingiu 69,6 pontos, elevação de 47,3% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Desde abril de 2015, o indicador não registra valores acima da neutralidade. Com 63,2 pontos, o momento para consumo de bens duráveis avançou 17,2% sobre o mesmo período em 2018, mas baixou 3,2% em relação a maio. Assim  como o outro indicador, o índice não alcança valores acima da neutralidade desde janeiro de 2015. “O consumo de bens duráveis apresenta atualmente dois pontos desfavoráveis: a percepção de dificuldade de obtenção de crédito e a cautela das famílias diante das incertezas do cenário econômico”, complementa. O indicador de perspectiva profissional registrou 79,3 pontos, avanço de 12% em comparação com o mesmo período do ano passado. Com relação ao mês anterior, a variação foi de 1,8%. Já a expectativa de consumo alcançou 99,2 pontos, aumento de 8,9% em comparação ao mesmo mês do ano passado e recuo de 2,2% sobre maio. “Os resultados apontam que os gaúchos devem manter postura conservadora nos próximos meses, o que torna ainda mais importante a aplicação de estratégias mais acuradas de promoção de vendas por parte de lojistas e prestadores de serviços”, recomenda.





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