Cidades

Falta de ética e crise econômica afetam generosidade do brasileiro

ONG Parceiros Voluntários comemorou duas décadas de atendimentos prestados em Caxias do Sul
27 de junho de 2019 às 13:13
Foto: Matheus Salvador, Divulgação

Para celebrar os 20 anos de atuação da ONG Parceiros Voluntários, em Caxias do Sul, foi realizado ato solene no auditório da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços, na tarde desta quarta-feira (26). Receberam homenagens voluntários, escolas participantes da ação Tribos nas Trilhas da Cidadania, empresas mantenedoras e apoiadoras, empresários que possibilitaram o desenvolvimento do voluntariado na cidade e lideranças da ONG.

Para mostrar a importância do trabalho voluntário, o superintendente da Parceiros Voluntários, José Alfredo Nahas, conduziu a palestra “Cenários e perspectivas de desenvolvimento social”, apresentando indicadores da desigualdade social, o Mapa  Global da Generosidade e o impacto do Terceiro Setor no Brasil. “A palavra chave desta palestra é propósito. Propósito de pessoas que resolveram não aceitar passivamente a realidade que aí está. Pessoas que partiram para a ação, transformando para melhor as sociedades onde estão inseridas, como é o caso de Caxias do Sul”, destacou.

Conforme dados apresentados pelo palestrante, num universo de 126 países, o Brasil ocupa o 10º lugar com maior índice de desigualdade. Destacam-se diferenças salariais enormes entre homens e mulheres, e entre negros e brancos. Há abismos entre as classes sociais e alta concentração de riqueza na mão de apenas 1% de toda a população.

Isto se reflete no resultado de uma pesquisa realizada em 2018, que mostrou que o brasileiro está deixando de ser generoso. Dentre 146 países pesquisados, o Brasil desceu do 77º lugar para o 122º. “Generosidade é a capacidade de ajudar, de doar, de fazer um trabalho voluntário sem querer nada em troca. É algo intrínseco. É muito mais uma questão de atitude, de querer contribuir, de fazer parte de uma mudança positiva”, salientou.

Responsável por 6% do PIB

Em períodos adversos, como os que o Brasil vem enfrentando, José Alfredo Nahas ressaltou a importância de cada indivíduo saber qual o seu papel como membro da sociedade. Segundo ele, no país, há atualmente mais de 820 mil organizações sociais, que juntas representam R$ 60 bilhões, quase 6% do Produto Interno Bruto. “São organizações geridas, desenvolvidas e tocadas por pessoas, que estão atendendo e resolvendo demandas sociais. É o chamado terceiro setor, formado pura e simplesmente por pessoas solidárias, que contribuem para alcançarmos uma sociedade melhor”, frisou.

Na visão de Nahas, o fato de o brasileiro estar aparentemente deixando de ser generoso está ligado, possivelmente, à necessidade de pensar mais na sua subsistência diante do momento de crise econômica e falta de ética, principalmente no setor político. “Quando vemos exemplos negativos vindo do alto, daqueles que foram escolhidos para gerir nossas riquezas, o ser humano tende a pensar muito mais em si. Mas acredito que as pessoas passarão a buscar cada vez mais desenvolver uma atividade voluntária de forma sistemática, contribuindo automaticamente para o desenvolvimento de quatro pilares para a melhoria da sociedade: cidadania, capacidade associativa, grau de confiança e civismo”, ressaltou.

Em Caxias do Sul, atualmente, são mais de 13 mil voluntários mobilizados, 30 mil pessoas beneficiadas, 120 escolas e 4 mil estudantes participando de Tribos nas Trilhas da Cidadania, 257 empresas voluntárias e 118 organizações sociais atendidas.  “Procuramos sempre mobilizar a sociedade para elevar estes dados. Mais do que números, esta participação proporciona resultados muito positivos no desenvolvimento como um todo”, frisou Mario Pezzi, presidente da Parceiros Voluntários de Caxias.





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