Economia

FIERGS projeta alta de 1,8% na economia gaúcha em 2020

Setor empresarial espera retomar contratações a partir do segundo semestre
05 de dezembro de 2019 às 17:08

Expectativas foram apresentadas durante coletiva à imprensa, nesta semana (Foto Dudu Leal, Divulgação)

O Rio Grande do Sul terá crescimento de PIB de 2,6% em 2019, superior ao do país, projetado em 1,1%, mas que será reduzido para 1,8% no próximo ano. As estimativas são da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS). "Este foi o ano para o Brasil começar a arrumar a casa. Esperava-se mais rapidamente, mas não foi porque em uma democracia sempre se depende do parlamento, que anda mais devagar do que a economia", disse o presidente da FIERGS, Gilberto Porcello Petry, ressaltando que em 2020 o Produto Interno Bruto brasileiro deverá chegar a 2%.

O resultado da economia gaúcha neste ano tem a contribuição especial de dois fatores: a elevada produtividade da colheita de grãos em relação à safra de 2018, com incremento de 6,1%, enquanto a brasileira foi de 3,8%, e o bom desempenho da indústria de transformação no primeiro semestre, puxado pelo desempenho da fabricação de veículos automotores, com alta de 21%. O presidente da FIERGS vê o empresário brasileiro mais otimista com o futuro da economia e das empresas, e isso deverá se refletir com a abertura de novas vagas em 2020. "Temos expectativa de criar 38 mil empregos no Rio Grande do Sul”, salientou.

O economista-chefe da FIERGS, André Nunes de Nunes, destacou que mesmo completando o terceiro ano consecutivo de crescimento, as economias do Brasil e do Rio Grande do Sul no final de 2019 ainda operam muito aquém do período pré-crise. A produção física industrial do estado segue 14% abaixo do pico. Mas o economista vê perspectivas positivas a partir do ano que vem. "Se para a economia global o melhor já passou, tendo em vista a aproximação do fim de um longo ciclo de crescimento, no caso do Brasil, o pior já passou", afirmou ele, observando que o menor avanço do PIB gaúcho para 2020 em relação ao Brasil se explica porque o estado partirá de uma base de crescimento mais elevada.

Passada a discussão da Reforma da Previdência em 2019, sinalizando comprometimento na solução do déficit fiscal sem rupturas com a estabilidade econômica, a taxa de juros mais baixa e a continuidade da agenda de reformas em 2020 devem possibilitar a recuperação mais intensa das atividades produtivas, analisa a FIERGS. Mas outros fatores também favorecem a aceleração do crescimento no próximo ano.

A começar pela ociosidade, já que a indústria brasileira está longe de recuperar o nível de produção anterior à crise. Em relação ao mercado de trabalho, a expectativa é de queda no desemprego e maior geração de vagas formais. A taxa de juros em níveis historicamente baixos deve melhorar as condições de crédito para empresas e famílias. A isso soma-se a confiança elevada demonstrada pelos empresários, principalmente após a Reforma da Previdência e o comprometimento do governo com a continuidade de agenda de reformas. “Mas ainda é preciso a melhorar a confiança dos consumidores, essencial para retomada mais robusta”, afirmou Nunes.