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Exportações gaúchas têm forte recuo em fevereiro

A redução da demanda externa, especialmente de China e Argentina, e a base de comparação elevada com o mesmo mês do ano passado, provocaram forte retração
15 de março de 2019

A redução da demanda externa, especialmente de China e Argentina, e a base de comparação elevada com o mesmo mês do ano passado, provocaram forte retração nas exportações totais gaúchas em fevereiro. As vendas externas fecharam em US$ 1 bilhão, queda de 65,5%, mas esse desempenho inclui o registro de uma plataforma de petróleo e gás (P-74) no valor de US$ 1,5 bilhão no mesmo período de 2018.

Em razão desta herança estatística, a indústria também teve um recuo, de 62,8%. “O resultado de fevereiro, especialmente pela diminuição dos pedidos de compras de importantes parceiros comerciais, nos distancia ainda mais da recuperação que o setor industrial necessita em função das perdas sofridas nos últimos anos”, avalia o presidente em exercício da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul, Gilberto Ribeiro. Mesmo sem considerar a plataforma na pauta das exportações de fevereiro, ainda assim as vendas externas da indústria de transformação sofreriam queda de 14,6%. Isso se explica pela retração do setor de máquinas e equipamentos nas exportações do estado no mês passado, que chegou a 73,7%. Contribuiu para esse fato a redução nas vendas de produtos agrícolas para a Argentina, juntamente com a comercialização não recorrente de mercadorias do setor para a China. No ano passado, o país asiático adquiriu US$ 85 milhões em compressores de gases e US$ 44,6 milhões máquinas e aparelhos mecânicos com função própria, o que não se repetiu em 2019.  Produtos químicos, cujas vendas caíram 24,7% em fevereiro na comparação com o mesmo mês de 2018, também exerceram forte influência para o resultado negativo das exportações gaúchas. Os embarques do setor para a Argentina e a China caíram US$ 40 milhões. Outra contribuição significativa para o resultado foi o desempenho do grupo de produtos básicos, com queda de 92%, cujas vendas externas somaram apenas US$ 20 milhões mês. Somente a venda de soja caiu 99,1%, com US$ 2 milhões comercializados, o menor valor desde 2015. Historicamente, os embarques de soja para o exterior apresentam forte sazonalidade, indicando pouca ou quase nenhuma venda externa nos primeiros meses do ano. A exceção foi no ano passado, quando se exportou US$ 200 milhões em fevereiro. Em relação às importações, o estado adquiriu US$ 833 milhões em mercadorias, assinalando a primeira retração, de 7,5%, para fevereiro desde 2016. Combustíveis e lubrificantes, com 28,7%, e bens de consumo, com 36,7%, puxaram a queda das importações no mês. ACUMULADO NO BIMESTRE  

Nos dois primeiros meses do ano, as exportações do Rio Grande do Sul acumulam US$ 3,8 bilhões, retração de 10,9% ante igual período de 2018. Por sua vez, a indústria gaúcha também apresentou queda de 5% na mesma base de comparação, atingindo US$ 3,6 bilhões. Desconsiderando o registro das plataformas, o setor secundário assinalou alta de 2,5%, enquanto as exportações totais do estado apresentaram decréscimo de 7,9%. Parceiro comercial relevante do estado, a Venezuela passa por grave crise econômica. O vizinho sul-americano despencou 19 posições no ranking de exportações anuais do estado, passando do 10º parceiro comercial, em 2012, para o 29º, em 2018.





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