Política

Executivo lança três cortinas de fumaça em um único dia

Fatos variam entre suposta boquinha para ex-parente e briga com procuradores e UAB
11 de julho de 2019 às 09:20
Foto: Gabriela Bento Alves, Divulgação

A sessão da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul desta quarta-feira (10) seguia na base de temas já conhecidos da população, como a reforma da Previdência Social e o caso do fechamento da Escola Municipal de Ensino Fundamental Arlinda Manfro, quando o vereador Adiló Didomenico/PTB revelou, na tribuna, as duas novas primeiras polêmicas do dia. Conforme o vereador, fatos lançados para encobrir os reais problemas do Município. “O que me chama atenção é que é um governo que faz cortina de fumaça. A cada volta e meia, estamos debatendo absurdos desse governo e os grandes problemas da cidade não se enfrenta. É a reforma da praça, é uniforme escolar, é a Região das Hortênsias. Cada pouco tem uma polêmica e esse governo incompetente vai andando e nós ficamos aqui discutindo as suas cortinas de fumaça e assistindo defesas do indefensável nesta Câmara”, avaliou.

Adiló Didomenico revelou que o Executivo determinou, desde a terça-feira (2), que todos os procuradores jurídicos do Município devem registrar o ponto eletrônico. Situação que, segundo alguns profissionais, causará prejuízos para o serviço, com pagamento de horas-extras para casos de urgência. A nova norma do chefe do Executivo teria sido comunicada aos servidores via e-mail, sem discussão com a categoria.

Segundo Adiló, uma briga em momento impróprio. “Justamente quando temos o caso Magnabosco em discussão e que duas procuradoras de carreira, doutoras Ana Cláudia e Karin Comandulli, vinham fazendo um trabalho excepcional. Acho que o prefeito fica pensando: com quem eu ainda não briguei? Só pode. O ponto para os procuradores tem que ser facultativo. É um governo desastroso, que não dialoga, que trabalha de costas para a comunidade”, afirmou.

 

Nomeações de ex-cunhada e sobrinha pegam mal em plenário

A segunda polêmica da sessão legislativa foi lançada pelo vereador Rafael Bueno/PDT. Ele criticou a nomeação da diretora geral do gabinete do prefeito Daniel Guerra/Republicanos (CC-8), Patrícia Ferreira, como secretária interina de Turismo. Ela substituirá, temporariamente, Renata Carraro, que tirou férias para se dedicar aos estudos ao concurso da Prefeitura para a vaga única de turismóloga. Ele ressaltou a implicação política do fato. “Ela [Patrícia] é ex-cunhada do prefeito e está assumindo a Secretaria de Turismo. Que qualificação ela tem, a não ser maquiadora, para estar na Secretaria de Turismo? Essa é qualificação de uma secretária de Turismo?”, questionou.

O pedetista também se referiu a outro caso considerado como suposta boquinha no Executivo. “A questão da Geraldine Gollo [gerente de projetos da PGM, também CC-8], talvez se explique pelo contrato familiar. A família Guerra é oficial para fazer o cerimonial da Gollo Felice, empresa de formaturas. A família canta no coral e Daniel Guerra é o cerimonial. Então, talvez aí haja troca de favores. Ele colocou a Geraldine Gollo, que, inclusive, vai fazer também o concurso [para a única vaga de procuradora jurídica]”, salientou.

Na mesma linha de raciocínio, Adiló Didomênico citou outra situação de suposto favorecimento na contratação de CC pelo prefeito. “Chamou um concurso que era cadastro reserva, de Engenharia, que não precisava. Criou dois cargos para chamar a sobrinha [Débora Guerra Salvador, filha da irmã do prefeito, Dalva Guerra]. Aí sim tem a movimentação turística entre as secretarias. Cargos de confiança para chamar os seus compadrios”, salientou.

 

Município cobra R$ 95 mil da UAB

A terceira polêmica ocorreu fora do Legislativo. Durante a tarde, a assessoria do Executivo enviou nota à imprensa informando que o Município ingressou na 2ª Vara Cível Especializada em Fazenda Pública de Caxias do Sul requerendo prazo de cinco dias para que a União das Associações de Bairros (UAB) pague uma dívida de R$ 95,2 mil. O valor se refere à desaprovação da prestação de contas da entidade por parte da Comissão de Tomada de Contas Especial do Controle Interno da Prefeitura.

De acordo com a Procuradoria-Geral do Município (PGM), o valor vinha sendo cobrado desde março de 2017, por meio de cinco notificações à direção da UAB. Segundo a procuradora-geral adjunta, Geraldine Gollo, o governo aguarda o pagamento “para poder investir em benfeitorias e políticas públicas para a comunidade caxiense”.

O presidente da UAB, Valdir Walter, disse que ficou surpreso com a notícia. Ele também questiona o valor e explica a origem do débito gerado para com o Município. “Nas nossas contas, a dívida é de R$ 33 mil. O valor se refere à prestação de contas, que foi reprovada parcialmente pela Comissão e também do recurso do Ponto de Cultura, que o prefeito Daniel Guerra mandou retirar da UAB. Vamos aguardar a notificação judicial e recorrer”, antecipou.