Economia

Estiagem já afeta lavouras de soja e milho

Levantamento preliminar apontas quebras de 13% a 31%
09 de janeiro de 2020 às 18:21

Solo seco tem interferido no desenvolvimento das culturas (Foto Divulgação/Folha de Caxias)

As perdas na cultura da soja com os impactos da estiagem no Rio Grande do Sul, até este momento, são estimadas em 13%, enquanto no milho é de 33%. É o que apresentam os números pesquisados pela Rede Técnica Cooperativa (RTC), no dia 7 de janeiro, após levantamento junto aos departamentos técnicos das cooperativas agropecuárias gaúchas. Os dados foram divulgados pela Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS).

No milho, a redução pode ser de cerca de 1,879 milhões de toneladas, enquanto na soja chega a aproximadamente 2,490 milhões de toneladas. Caso a situação se confirme, o volume de produção de soja, até o momento, pode ter queda de 19,154 milhões para 16,664 milhões de toneladas, enquanto no milho pode ser de 5,696 milhões para 3,816 milhões de toneladas. Os números consideram a primeira previsão de safra do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No gado leiteiro, prejuízos podem se prolongar por dois anos

Na avaliação da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), a seca afeta especialmente a safra de milho e os produtores que dependem da cultura para a silagem estão colhendo as folhagens sem o grão ou com péssima qualidade. A entidade já vem recebendo a manifestação de produtores de leite sobre o tema.

Conforme o presidente da Gadolando, Marcos Tang, essa repercussão na alimentação do gado leiteiro será sentida nos próximos dois anos. "Isto não tem repercussão só no dia. O animal mal alimentado terá suas consequências no futuro. Muitos produtores que estavam se reorganizando, ajustando as matrizes, terão que mudar o rumo de seus investimentos para a compra de alimentação de qualidade. Se acharem, pois, às vezes, terão que comprar comida fora do estado, pagando altos preços e arcar com o transporte", destaca.

Para o dirigente, o produtor vinha de uma expectativa devido ao preço do leite, que não teve queda na virada do ano como em momentos anteriores e até tinha sinalização de melhora. "Mas o clima nos pegou de jeito. Embora tivesse previsão de irregularidade, não tinha de estiagem, e os dias repetidos de sol dos últimos dias secaram as plantas. O produtor de leite tem a sua safra de silagem do milho e ele guarda para um ano, um ano e meio de estoque. E não temos seguro sobre a silagem", observa.

Tang salienta que a ideia de muitos produtores de leite, se começar a chover, é tentar viabilizar uma safrinha de milho como opção para obter a silagem, mas nem todas as regiões terão estas condições, pois algumas localidades a geada ocorre mais cedo. A alternativa, de acordo com o presidente da Gadolando, é que produtores, técnicos, indústrias e cooperativas se organizem de forma a amenizar os problemas do setor causados pela estiagem.

Estado prepara medidas emergenciais

Encontro reuniu prefeitos das regiões mais atingidas (Fernando Dias, Seapdr, Divulgação/Folha de Caxias)

O secretário em exercício da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), Luiz Fernando Rodriguez Júnior, apresentou nesta quinta-feira (9), durante reunião no auditório da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), medidas de emergência que a pasta encaminhará nos próximos dias para mitigar os efeitos da estiagem que persiste por todo o estado. "Desde 3 de janeiro, a secretaria instituiu o comitê de acompanhamento da estiagem para pensar em soluções. Uma delas é unificar as análises agroclimáticas da secretaria, do Irga e da Emater-RS, elaborando boletins semanais que abordem o impacto das condições climáticas nas culturas do período, de forma que os municípios possam se planejar com informação qualificada", detalhou.

O diretor técnico da Emater-RS, Alencar Rugeri, ponderou que as estimativas preliminares sobre as perdas desta safra ainda são muito difíceis de mensurar, porque a estiagem ainda está em curso e, por isso, os dados mudam rapidamente. No entanto, perdas maiores estão concentradas nas regionais de Soledade, Ijuí e Passo Fundo, no caso da soja; no Vale do Rio Pardo, no caso do milho para silagem; e, novamente, em Soledade, com relação ao feijão 1ª safra.

A secretaria encaminhará ofício ao Ministério da Agricultura solicitando a prorrogação do zoneamento das culturas afetadas pela seca. "Estamos atendendo a um pleito de diversas entidades como Fetag e Farsul, além das prefeituras", destacou Rodriguez. Também junto ao governo federal a pasta buscará a redução do custo do seguro rural e o aumento da cota disponível para o Rio Grande do Sul.

No âmbito estadual, a secretaria deverá solicitar uma reprogramação financeira para a aquisição de volume extra de 15 mil sacas de milho para atender ao programa Troca Troca de Sementes. "Também devemos encaminhar ao governador um pedido para estender o prazo de emissão de licenciamento ambiental do programa Mais Água Mais Renda, que vence em abril. Pelo programa, o licenciamento para um sistema de irrigação é de 30 dias", explicou.

Estimular a implantação de projetos de irrigação é uma estratégia para contornar futuras estiagens. "Sempre teve restrição hídrica nessa época e, em diversos exercícios, não tivemos uma restrição tão severa. Por isso, houve redução muito substancial na procura pelos projetos de irrigação", avaliou.