Economia

Especialista britânico alerta que internet impactará tudo e a todos

Nick Wright palestrou, na Mercopar, sobre a digitalização da economia
03 de outubro de 2019 às 09:32
Foto: Rafael Cavalli, Divulgação

Um evento de referência nacional com o objetivo de contribuir para melhorar a competitividade e a inovação da cadeia de valor entre grandes e pequenas empresas. Assim foi o Encadear Summit 2019 – Fórum de Encadeamento Produtivo, realizado no primeiro dia da Mercopar, que se encerra nesta quinta (4), em Caxias do Sul. Uma das palestras, sobre a digitalização da economia, foi apresentada por Nick Wright, head de indústria de manufatura na Digital Catapult, em Londres, Inglaterra.

Pela primeira vez em solo brasileiro, Wright discorreu sobre o mundo da tecnologia e como a empresa em que trabalha pode ajudar a conectar organizações e startups, unindo pequenos problemas com negócios que possuem potenciais e soluções possíveis. Ele relatou as dificuldades e a rotina no mercado de tecnologia do Reino Unido. “Londres é um polo de inovação digital, mas queremos mais programas fora da Europa para espalhar essas ideias. Nosso maior programa é o Creative XR, que usa o financiamento dos Conselhos das Artes do Reino Unido para transferir às startups recursos para que elas desenvolvam novas experiências no mercado industrial, proporcionando também novas experiências às pessoas”, destacou.

Wright explicou que o trabalho que desenvolve se resume a dar às grandes e pequenas empresas e startups, por meio de recursos e oportunidades, o que elas jamais teriam de outra forma. Um desses acessos pode ser através de outro programa, agora voltado para a internet das coisas. Para ele, o mercado para internet das coisas cresce muito no setor de manufatura. “Montamos um programa chamado coisas conectadas para fazer testes em áreas de baixa potência e um programa de aceleração para criar tecnologia para estes dispositivos. Temos um programa com mais de 1.200 startups que passaram pela nossa empresa. A internet terá um impacto sobre tudo o que fazemos. No futuro, todas as coisas e produtos estarão conectados umas com as outras”, destacou.

Ele também tratou sobre inteligência artificial. Para Nick Wright, é preciso estar pronto para esta tecnologia, para entender e conseguir fazer com que ela funcione bem. “Isso é muito difícil. Damos apoio e temos grandes resultados com empresas que usam, por exemplo, esta tecnologia para o tratamento contra o câncer”, lembrou.

Ao tomar conhecimento que um dos problemas mais sérios no Brasil é a conectividade restrita, Wright disse ser possível resolver com uma antena, que custa em média 100 libras. Assim, é possível usar o serviço de internet com acesso barato e sem passar pelas redes de operadoras de celular. “Ter uma boa conectividade nacional é um desafio a ser superado”, provocou.

Na abertura do Encadear Summit 2019, o diretor técnico do Sebrae RS, Ayrton Pinto Ramos, destacou que o mundo dos negócios tem passado por mudanças significativas e que, a partir da revolução digital, surgiram modelos tecnológicos destrutivos. “Os avanços são muito rápidos e, a cada dia, temos novas ideias lançadas por players. A digitalização é um requisito de sobrevivência. Temos que estar voltados para criar valor e vantagem competitiva, desde a compra de matérias-primas até a entrega dos produtos. Não podemos mais ter uma dicotomia entre pequenas empresas e grandes empresas”, assinalou.

 

Secretário defende mudança de cultura nas organizações

 

A inovação por meio da utilização de startups também foi tema discutido no Encadear Summit. O secretário de Inovação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul, Luis da Cunha Lamb, apresentou projetos de encadeamento produtivo entre empresas âncoras e micro e pequenas organizações. Salientou a necessidade da mudança cultural dentro das organizações. “Não somente na parte técnica, mas, essencialmente, na alteração de pensamento dentro das empresas, visando não só ao público interno, mas ao consumidor e fornecedor”, observou ele.

O executivo do Instituto Hélice, Thomas Job Antunes, explicou a forma de trabalho da organização na região da Serra Gaúcha, quando quatro grandes empresas (Randon, Marcopolo, Soprano e Florense) realizam trabalho de conexão com startups. Coube ao Instituto Hélice apresentar as condições para a parceria. “Partiu-se da lógica da escassez para a lógica da abundância, em um movimento colaborativo em que todos atuam em conjunto, criando uma nova forma de pensar”. Na palestra, Antunes explicou que a utilização de startups na criação de ideias e soluções economiza tempo e recursos das empresas, e cria uma fonte de receita para os pequenos empreendedores da área digital. O sucesso do projeto foi reconhecido e, com isso, o Instituto Hélice já conta com 13 empresas associadas que procuram por novas ideias por meio de incubadoras de startups, como a TecnoUCS (Parque de Ciência, Tecnologia e Inovação da Universidade de Caxias do Sul).

Alexandre Gewehr, gestor de Tecnologia da Informação da AGCO, falou da importância da inovação no processo de crescimento da empresa. “Somos grandes, mas há certa lentidão no processo de criação dentro da estrutura interna. Por isso, a necessidade de inovarmos, dando aos colaboradores a oportunidade de questionarem as regras existentes”. Explicou que a empresa formou um núcleo criativo e de inovação, além de ampliar o trabalho com entidades privadas, universidades e parcerias, com o Senai e startups.

 

Segundo dia foi marcado por intenso movimento

 

O segundo dia da Mercopar, em Caxias do Sul, foi de grande movimento desde o início da tarde, com a abertura dos pavilhões à visitação. No meio da tarde, filas enormes eram registradas para o cadastramento de visitantes e, no interior dos pavilhões, a circulação, em alguns pontos, chegou a ser difícil.

A maioria dos 315 estandes está montada nos dois pisos do Centro de Eventos. No pavilhão 1 se destacam os espaços para as programações paralelas, que têm atraído a atenção dos visitantes. Nestes locais são tratados temas sobre inovação e indústria 4.0, além das rodadas de negócios, com mesas e cadeiras sempre lotadas.

Para o último dia da feira é esperada a visita do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Ele fará uma visitação guiada a algumas empresas expositoras e espaços como o Salão de Negócios e o Salão de Inovação. O funcionamento da feira é das 13h às 20h, com programações paralelas pela manhã.