Cidades

Empresa desenvolve abrigo móvel para moradores de rua

Projeto, que será apadrinhado por empresas e clubes, já possui mais de 1,2 mil pedidos
08 de agosto de 2019 às 10:24
Foto: Divulgação

Dentre as inúmeras mazelas sociais que parecem não ter solução, a falta de um local seguro e que ofereça condições dignas para repousar e se proteger das intempéries climáticas é uma das mais degradantes. Diante desta realidade, a empresa Eco Tubos, de Caxias do Sul, desenvolveu o abrigo móvel, que visa também à ressocialização. “A ideia surgiu ao vermos, diariamente, pessoas dormindo em calçadas ou debaixo das marquises sem a mínima proteção. Em Caxias, há quase 600 pessoas nessa situação. Alguns por pouco tempo, outros há muitos anos. Foi daí que surgiu a ideia de desenvolvimento dessa solução, que fortalece a participação social das empresas, de forma transparente”, destacou o consultor empresarial Fabiano Cardoso Ferreira.

A estrutura é formada por um cômodo móvel, com capacidade para até duas pessoas, ou 160 quilos. É de fácil movimentação, impermeável, termoacústico e ventilado, mede 2,10 metros de altura, por um de largura e um de altura, construído em policloreto de polivinila (PVC). “É um material que não propaga chama, feito para as pessoas dormirem. O lado externo será todo personalizado com a marca da empresa apadrinhadora. Além de exercer a responsabilidade social, estará fomentando o seu negócio por meio do impacto que ações deste porte geram. Também contribuirá para uma série de melhorias na cidade, como por exemplo, organização e limpeza”, ressaltou.

Com protótipo já estruturado, Ferreira disse que a iniciativa foi bem aceita por empresários e clubes esportivos de Caxias do Sul e de Porto Alegre. No entanto, o maior entrave na cidade tem sido o poder público. “Faz 30 dias que tiramos essa ideia do papel e já estamos em negociação para a produção de 1.237 abrigos móveis. Estamos em constante busca de diálogo com a Secretaria de Urbanismo, que vem burocratizando ao máximo a situação ao invés de apontar caminhos para que possamos agir da melhor forma. Ainda não existe regulamentação para esse tipo de iniciativa”, observou. A empresa está montando documento em que detalha o projeto e seus objetivos para ser protocolado na Prefeitura.

Em férias, a secretária de Urbanismo, Mirangela Rossi, informou que a orientação é que os interessados protocolem projeto para análise técnica. No entanto, disse haver formas muito mais eficientes de destinar recursos.

Conforme Ferreira, o custo médio de cada abrigo móvel depende da quantidade e do tempo em que a empresa pretende mantê-lo. Uma única unidade, pelo período de dois anos, teria o investimento de R$ 2,2 mil.

Dignidade para quem vive às margens

Fabiano Cardoso Ferreira frisou que tanto a Eco Tubos, como as empresas que já manifestaram interesse em patrocinar os abrigos móveis, querem que o projeto seja mantido sem dinheiro público. A única demanda é que haja regulamentação e dados de pessoas que se encontram em situação de vulnerabilidade. “O que todos queremos é dar dignidade àquele ser humano que vive às margens da sociedade. Todos vão sair ganhando. As pessoas terão um local para dormir e uma possibilidade de ressocilização; as empresas estarão divulgando sua marca por meio de uma iniciativa social; e nós por produzirmos e gerarmos empregos. Tudo isso em torno de uma causa nobre”, salientou.

A princípio, o critério de escolha dos moradores que irão ser contemplados com os abrigos ficaria a cargo das empresas patrocinadoras. No entanto, Ferreira ressaltou que todos terão, gradativamente, de cumprir determinações que culminem na total reintegração, além da obrigação de manter o espaço limpo. “Com tempo e orientação, pediremos que a pessoa faça documentos e mostraremos possibilidades concretas de uma vida melhor. No projeto está incluída a possibilidade da empresa apadrinhadora ofertar um emprego”. Todos os abrigos serão rastreados, com segurança 24 horas, visando serviços de manutenção e assessoria aos beneficiados.





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