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Embrapa lança cultivares de uvas produtivas e adaptadas ao Sul do país

A Embrapa Uva e Vinho, com sede em Bento Gonçalves, lançou duas novas cultivares de uva: a BRS Melodia, rosada de mesa sem sementes, crocante, com gosto de frutas vermelhas e muito doce;
09 de abril de 2019

A Embrapa Uva e Vinho, com sede em Bento Gonçalves, lançou duas novas cultivares de uva: a BRS Melodia, rosada de mesa sem sementes, crocante, com gosto de frutas vermelhas e muito doce; e a BRS Bibiana, para elaboração de vinho branco, com alto grau de açúcar, resistente a doenças e alta produtividade, chegando a 25 toneladas por hectare. Ambas são adaptadas ao clima temperado do Sul do país e demandam menor quantidade de insumos para o controle de doenças quando comparadas a outras cultivares com a mesma finalidade.

A Embrapa ainda apresentou as recomendações de cultivo na Serra Gaúcha das cultivares de uva mesa sem sementes BRS Isis e BRS Vitória, desenvolvidas inicialmente para produção em regiões de clima tropical, com destaque para o Vale do São Francisco (PE e BA). Na Serra Gaúcha, a principal recomendação para as três cultivares de mesa - Isis, Vitória e Melodia - é o cultivo sob cobertura plástica.

Umberto Camargo, pesquisador aposentado da Embrapa e responsável pela criação do Programa de Melhoramento Genético Uvas do Brasil, destacou a importância de divulgar, junto com os lançamentos, as recomendações de cultivo. “Já vi produtores implantarem áreas de BRS Vitória e, no segundo ano de cultivo, decidirem eliminar o vinhedo. Atribuo isso principalmente à falta de conhecimento do manejo da nova cultivar, que é muito boa, mas, se for mal manejada, poderá ser considerada como uma variedade sem qualidade ou com defeitos graves".

 

Produtores se interessam pela variedade Melodia

 

O produtor de uvas de mesa de Alto Feliz, Jair Fernando Freiberger, gostou dos lançamentos. "São uvas muito vistosas e acredito que, futuramente, terão potencial para atingir grandes mercados também". Produtores de outras regiões também se interessaram pela nova cultivar, como Sergio Eiti Iida de Pirapora (MG). Lá, a família cultiva 130 hectares de uva Niágara, além de uma pequena e crescente área de BRS Isis e BRS Vitória. "Ficamos bastante interessados na BRS Melodia. Pelo que degustamos, tem um grande potencial de aceitação no mercado", afirmou.

Vilmar Capellaro, prefeito de Lagoa Grande (PE), produz as cultivares BRS Vitória, BRS Isis, BRS Núbia e BRS Clara, em uma área de 110 hectares, e vê na sua região, que tem em torno de 1500 produtores assentados pelo Incra às margens do Rio São Francisco, um grande potencial para a viticultura de mesa. Integrante da Câmara de Fruticultura na região do Vale do São Francisco, Capellaro acredita que "o país, especialmente o Vale do São Francisco, deve investir mais em tecnologia nacional para que o conhecimento aqui gerado fortaleça tanto o mercado interno quanto as exportações”.

 

Rosada e sem sementes

 

A Melodia é uma cultivar de uva híbrida, com boa tolerância às doenças da videira, principalmente ao míldio e ao oídio. Foi criada especificamente para consumo in natura, com destaque para sua cor rosada bastante intensa e ao sabor tutti-frutti. Quanto à textura, é uma uva crocante e de casca fina, tornando-a fácil de mastigar. A Melodia se adaptou na Serra Gaúcha sob cobertura plástica, região onde esse tipo de cultivo tem aumentado.

 

Bibiana, cultivar para vinho branco

 

A BRS Bibiana é uma uva branca, resistente às podridões de cacho, pois eles não são compactos. O vinho elaborado com ela remete àqueles obtidos a partir de uvas européias. O nível de açúcar, na maturação, é alto, em torno de 21ºbrix, com acidez em torno de 100 a 120 mEq/litro. A nova cultivar se adapta melhor ao clima subtropical úmido da região da Serra Gaúcha, tem alta produtividade e demanda menos tratamentos fitossanitários em função da resistência genética e dos cachos soltos.

O engenheiro agrônomo da Cooperativa Vinícola São João, Paulo Adolfo Tesser, acredita que a Bibiana é uma variedade com qualidade superior às uvas viníferas da região. "O mais importante é o aroma dela, parecido com o das uvas viníferas, tipo Sauvignon Blanc e Chardonnay. Também é mais fácil de produzir e resistente às podridões de cacho e outras doenças, o que é bastante importante nessa região que é chuvosa".

Thompson Benhur Didoné, extensionista da Emater/RS-Ascar, não conhecia a nova cultivar de vinho branco e suas particularidades. "Só a redução na aplicação de defensivos, devido à resistência principalmente as podridões, já é um ganho para o produtor em termos de custo de produção e ambiental". O que também o surpreendeu foi o vinho. "É extremamente elegante, com toda a semelhança às viníferas, embora classificada como híbrida, tendo uma acidez equilibrada". Para ele é um vinho com grande potencial.