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Em busca do protagonismo

Debate promovido pela OAB – Subsecção Caxias do Sul aborda o papel das advogadas e os desafios impostos pelo mercado
15 de agosto de 2019 às 10:41
Foto: Divulgação

Como parte da programação do Mês do Advogado, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Subsecção Caxias do Sul, promoveu na terça-feira (13) um painel sobre o tema “O protagonismo da mulher advogada”. Mediado por Andrea Varaschin Webber e com as presenças das advogadas Gabriela Winck e Claudia Onzi Ide, o encontro discutiu o papel e os desafios enfrentados pelas profissionais na área jurídica.

A primeira pergunta feita pela mediadora foi sobre ambição no trabalho. “Se me perguntassem isso, três ou quatro anos atrás, responderia que não. Hoje vejo que sou”, afirmou Gabriela, hoje uma das mentoras do WLM (Woman in Law Mentoring – em tradução livre, Mentoria para mulheres da lei) no Brasil. O projeto presta mentoria para as mulheres que trabalham em setores jurídicos e que têm ambição de assumir cargos de liderança na área do direito. Com pré-requisitos para fazer parte, as mentoradas devem ter, no mínimo, cinco anos de formação, e, as mentoras, 10 anos e experiência de liderança na sua área. Hoje o projeto conta com mentoras que atuam fora do Brasil.

Ainda sobre o tema ambição no trabalho, Claudia Ide, que trabalha na área jurídica das Empresas Randon, comentou: “Sempre tive o desejo de trabalhar em uma empresa grande. Antes de a Frasle ser comprada pela Randon e eu ser transferida para lá, ajudei a montar o setor jurídico da empresa. Hoje vejo que todo meu esforço se justificou, estou em uma empresa grande”.

O painel girou em torno do protagonismo na mulher na área jurídica. Andrea perguntou para a dupla porque os homens se arriscam mais em cargos de liderança do que as mulheres. “Os homens têm mais coragem de se candidatar a uma vaga mesmo não tendo todas as qualidades para isso. Nós, mulheres, queremos fazer tudo 100%, um nível de exigência muito maior”, respondeu Cláudia.

Gabriela complementou. “Não é que as mulheres não queiram, falo por mim. Às vezes, as mulheres se subestimam e acham que, por alguma questão, elas não podem. É uma construção interna nossa, eu já duvidei de mim, e hoje sou sócia de um grande escritório. Tenho que dar a cara a tapa mesmo achando que não estou apta. Precisamos ter coragem”.

Gabriela comentou durante o painel que, muitas vezes, quando está assessorando suas mentoradas do WLM consegue uma troca de informações muito boa, num processo de mentoria reversa. A advogada ainda aconselhou as mulheres a terem orgulho de si e de seus trabalhos. “Precisamos elevar nossa autoestima”.

Cláudia Ide, que disse se considerar uma pessoa tímida e que costuma ficar mais “na dela”, falou que o networking entre mulheres é essencial para o crescimento dentro das empresas. “Por que não indicar uma mulher a um cargo? Quando for a uma empresa pedir para falar com uma mulher, ter essa troca de informação que é muito rica”.

 

Superar preconceitos: um grande desafio.

 

Um dos pontos mais comentados durante o evento foi o aspecto de gênero, principalmente quanto às piadinhas que as mulheres advogadas têm que ouvir em determinadas ocasiões. “Não podemos aceitar qualquer tipo de piada no nosso local de trabalho, seja do colega ou do cliente. Eles (homens) precisam entender que nossa capacidade como profissional está acima do fator de sermos mulheres”, comentou Gabriela Winck, que hoje é uma das sócias da TonizziFreire Advogados, empresa fundada na década de 70, e que possui escritórios no Rio Grande do Sul e São Paulo. “Quando se impõe limites, as mulheres mostram o protagonismo”, disse. Andrea Webber complementou dizendo que são as mulheres quem devem impor limites, e não as empresas nas quais trabalham.

Gabriela se disse muito feliz de hoje ver que as mulheres estão mais corajosas e indo atrás de seus sonhos. “Essa nova geração, não só de advogadas, está indo atrás do que quer, estão sendo mais corajosas”, afirmou. E ainda disse que o seu processo de mentoria também serve para que as mulheres reivindiquem salários e cargos melhores, sem pensar na sexualidade, mas na competência da profissional.

No final do painel, a mediadora solicitou para que a Gabriela Winck e Claudia Onzi Ide passassem às mulheres presentes no evento quais os principais pontos para que uma advogada tenha sucesso em cargos de lideranças. As duas listaram os seguintes itens: superar as barreiras internas, networking, apostar nas próprias experiências, driblar a insegurança e buscar uma evolução constante.

 

Programação

 

A programação do Mês do Advogado, organizada pela Subsecção da OAB em Caxias do Sul, prossegue na próxima semana. No dia 20, às 19h, ocorre a palestra "Os direitos sociais das mulheres: evoluções e retrocessos", com as advogadas Veridiana Sgorla, Patrícia Noll e Cibele Tonin. A atividade será realizada no Auditório Dr. Olmiro Palmeiro de Azevedo, na sede da OAB, (Rua Pinheiro Machado, nº 2321, sala 34). No dia 23 ocorre um circuito de degustação de vinhos, no Samuara Hotel, com ingresso a R$ 150; no dia 28, será realizada a 12ª Mostra Cinema e Direitos Humanos, na sede da OAB; e, no dia 29, no Samuara Hotel, a palestra "A evolução da advocacia caxiense”, com Gustavo Fausto Miele. As inscrições podem ser feitas em www.oabcaxias.org.br. Mais informações pelo telefone (54) 3028.6755.