Economia

Economista projeta segundo semestre com novo cenário

André Nunes de Nunes usou a expressão “retomada da retomada” ao explicar que acredita em atividades econômica mais robusta ainda neste ano
25 de junho de 2019 às 12:42
Foto: Julio Soares, Objetiva/ Divulgação

O economista-chefe do Sistema Fiergs, André Nunes de Nunes, que palestrou na reunião-almoço da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC) nesta segunda-feira (24) afirmou que não trabalha com a hipótese de a reforma da Previdência não passar. Segundo ele, a situação fiscal é muito grave e deve ser prioridade. “Resolver a crise fiscal é condição necessária. A reforma da Previdência é o sinal de que a crise fiscal será resolvida por meio de um ajuste nas contas públicas”, analisou.

Para Nunes, a recuperação da economia brasileira, que já era lenta, perdeu tração desde meados do ano passado. O ritmo de recuperação aquém do esperado frustrou as expectativas para 2019. No entanto, os próximos anos, acredita Nunes, serão de recuperação econômica, com espaço para o crescimento sem pressões inflacionárias, o que abre caminho para que os juros permaneçam baixos por mais tempo. “Medidas importantes já foram tomadas”, acrescentou o economista. A questão é que, ainda de acordo com Nunes, o presidente parece perder tempo com pautas desnecessárias, além de depositar todas as fichas na Previdência.

Além disso, Nunes avaliou o cenário da economia pós-eleição e as expectativas do mercado de retomada do crescimento e afirmou que o desempenho econômico ruim do primeiro trimestre não pode ser atribuído ao governo. “Fica a sensação de que o Brasil parou. O que fazer para não ficarmos presos nessa armadilha de crescimento baixo? Não tem solução fácil. Na ausência de um motor do crescimento, é preciso prosseguir com agenda de reformas. Modernização trabalhista e teto dos gastos foram só o início, ainda temos uma agenda muito extensa pela frente. É a resolução dessa agenda que pavimentará o caminho para o crescimento mais vigoroso”, argumentou Nunes.

 

“A destruição é triste, não vamos nos abater”.

 

Aproveitando a passagem dos 129 anos de Caxias do Sul, comemorados na quinta (22), o presidente da CIC, Ivanir Gasparin, fez questionamentos em seu discurso nesta segunda-feira na reunião-almoço da entidade sobre o futuro que se deseja para a cidade. Abaixo partes da manifestação, que traz uma visão crítica em relação ao que está ocorrendo no município.

 

“Também queremos fazer menção neste espaço em relação ao aniversário de Caxias. Na última quinta-feira, nosso Município completou 129 anos. A Caxias do Sul da Festa da Uva, da uva, do trabalho, da imigração. E aí temos de nos perguntar: afinal, qual a Caxias que queremos?

A Caxias que valoriza as suas tradições, mas que é aberta à inovação, que gera empregos e fomenta a economia, ou a Caxias que desemprega e que trata o empresário como vilão?

A Caxias em que os cidadãos fazem as coisas certas, cumprem as leis, a Caxias que se preocupa com os empresários estabelecidos, ou a Caxias que faz vistas grossas ao comércio ilegal e que não garante nem ao menos o direito de ir e vir nas calçadas invadidas por mercadorias sem impostos, em que um lugar público, a calçada, virou território comercial privado por invasão?

A Caxias que valoriza seu passado e planeja seu futuro, ou a Caxias que desconstroi tradições e desprestigia o empresariado?

Sim, são tempos controversos... Mas nada disso nos tira a certeza de que o caminho é fortalecer a luta e continuar na defesa das nossas causas. A Caxias centenária merece que trabalhemos em conjunto, que valorizemos a união de esforços, que voltemos a apagar as velas de seus 129 anos em um bolo na praça, como forma de homenagear e agradecer aos seus cidadãos por tudo que fazem por ela.

Temos exemplos bem próximos de nós, cidades vizinhas que souberam unir todos os atores sociais para fazer grandes coisas pelo bem-comum e pelo progresso. A destruição é triste, não vamos nos abater”.