Política

Conselho de Educação questiona presença militar nas escolas

Educadores ponderam a existência de projetos para mediar os conflitos
12 de agosto de 2019 às 09:05
Foto: Luiz Erbes, Banco de Dados

A intenção da Secretaria de Educação (Smed) de Caxias do Sul de colocar um PM ou bombeiro aposentado nas escolas da rede pública não foi bem recebida pelo Conselho Municipal de Educação (CME). Segundo a presidente do grupo de trabalho, Glaucia Helena Gomes, os conselheiros e diretores estão preocupados com as consequências do ato no desenvolvimento das atividades pedagógicas e no comportamento dos alunos.

Glaucia relatou que, durante as férias, diretores de sete escolas, localizadas em regiões de maior vulnerabilidade social e com índices de violência no entorno, foram convocados para uma reunião com os secretários de Educação, Marina Matiello, e de Segurança Pública e Proteção Social, Ederson Cunha. No encontro, teriam sido informados da intenção do Executivo em utilizar militares da reserva da Brigada Militar e do Corpo de Bombeiros para colaborar na melhoria da disciplina dos estudantes, por meio de atividades cívico-militares.

Segundo a presidente, foram chamados os diretores das escolas Paulo Freire, Rubem Bento Alves, Machado de Assis, Angelina Comandulli, Tancredo Neves, Guerino Zugno e Dolaimes Stédile Angeli (CAIC). Entretanto, nenhum dos diretores teria aceitado receber os policiais sem que houvesse um convênio assinado e uma proposta de trabalho. “Não é com imposição e autoridade que vamos resgatar a convivência saudável nas escolas. A Smed não escuta quem conhece a realidade das escolas. Receitas prontas não funcionam para todos os casos”, ponderou Glaucia, que é diretora da Atiliano Pinguelo, localizada no Bairro Diamantino, Zona Leste da cidade. Ainda, de acordo com ela, a rede municipal já possui um trabalho organizado para solucionar e mediar conflitos, que é a Justiça Restaurativa, por meio dos círculos da Paz.

Diretores avaliam o reflexo da proposta

A Comissão de Diretores das escolas municipais se reuniu nesta sexta-feira (9) para debater o assunto. O encontro contou com a participação de 33 dos mais de 80 gestores. Conforme Glaucia Helena Gomes, eles manifestaram preocupação com as possíveis consequências negativas que podem resultar da presença dos militares no ambiente escolar.

Ela recordou que, na década de 1990, houve a presença de brigadianos nas escolas estaduais, por intermédio do programa PM Residente. Contudo, na época, eles eram responsáveis somente pela segurança das escolas e da comunidade escolar. “Desta vez, nos é apresentado como uma forma de interferência pedagógica. Por isso, o Conselho de Diretores decidiu que vai encaminhar um documento oficial à secretária de Educação, manifestando nossa reserva com relação à implantação deste projeto e solicitando mais informações sobre o projeto”, revelou.

Glaucia informou ainda que, na reunião com os diretores, os representantes do Executivo teriam afirmado que, caso as escolas aceitassem a ideia, ela seria transformada em projeto de lei enviado à Câmara de Vereadores para formalizar um convênio com a Secretaria Estadual de Segurança Pública. Além disso, que a Smed teria alinhado a decisão ao projeto do governo federal de transformar mais de 120 estabelecimentos de ensino brasileiros em escolas cívico-militares.

Por meio de nota, a secretária Marina Matiello informou que “a Smed não vai falar sobre a presença de militares nas escolas municipais, porque ainda não há definições sobre o assunto. Se em algum momento houver, ela se pronunciará”.





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